MANIFESTO CONTRA O PRECONCEITO, MÚSICA : VAI SE BENZER

27 janeiro 2018

Para a música desta semana podemos usar um termo muito usado na internet; "Pisa menos".

Foto: Divulgação



O ato de se benzer é uma prática muito antiga presente em muitas culturas e religiões, tendo como finalidade afastar os males ou mal especifico. A música destaque nesta semana faz uma analogia a esse aspecto cultural e religioso,  com o titulo, VAI SE BENZER, lançada em novembro de 2007  interpretada por Preta Gil com participação especial de Gal Costa. 

Embora haja uma evidente relação as matrizes de religiões africanas, a música não tem cunho religioso, de fato, trata - se de um manifesto em resposta ao preconceito, seja ele por: religião, opção sexo, idade, gênero, financeiro, cultural...

O refrão trás uma autoafirmação de quem se é e nas entre linhas questiona quem é você que vive de julgar o outro, tendo em vista que a maioria das pessoas que tem tal atitude na verdade tentam esconder suas fragilidades, diminuindo o outro, o fato é que esse outro já reconhece-se e se aceita, ai então o preconceito fragmenta-se e deixa o preconceituoso vulnerável.
[...]


Eu, sou eu, diz ai quem é você

Sou eu, diz ai quem é você
Eu, sou, diz ai quem é você
Sou eu, diz ai quem é você.
[...]


Se a letra deixa algo subtendido o clip deixa tudo mais explicito. Dirigido por Adriano Alarcon com projeto de Nizan Guanaes, o mesmo foi filmado no empreendimento Cidade Matarazzo, nas ruínas do antigo Hospital Matarazzo, no coração de São Paulo, reuniu mais de 30 atores para representar a diversidade social, que ao longo do clip aparecem em vários momentos apontando o dedo, representando  a hipocrisia social, onde a maioria das pessoas não são capazes de ver suas próprias falhas, mas tem presa em apontar a do outro.

A música é linda, a batida é envolvente trás uma profunda reflexão e questionamentos que fogem ao conservadorismo,  uma reflexão a nossa realidade atual diretamente ligada as redes sociais, onde muitas pessoas encodem-se atrás de um perfil para impulsionar ainda mais o preconceito, os famosos haters. 

O clip é uma obra de arte, luz, fotografia, roteiro, figurino... Tudo é muito bem pensado em um trabalho de minúcia para passar a ideia de desconstrução do preconceito. Uma obra como esta merece respaldo e reconhecimento, por sua relevância e qualidade, pena que o gosto popular não preza por este estilo de música.