MALKA LIMA, SEM MEDOS, SEM RECEIOS, SEM CENSURA. DIGA NÃO A RELACIONAMENTOS ABUSIVOS!

18 dezembro 2017

Mesmo com todos os avanços sociais no que tange o papel homem e mulher, ainda temos atrelado o conceito histórico de feminino e masculino onde o homem precisar se impor para  mostrar-se superior, as mulheres por sua vez devem- se submeter – se  a ser objetificada. Esta afirmação parece absurda e distante para algumas pessoas; mas não presenciar ou não perceber estas situações não significa que não existam.  

Foto: Arquivo pessoal

A youtuber Pernambucana  Malka Lima, de 29 anos , compartilha conosco o que passou ao viver um relacionamento abusivo durante 4 anos, e de que forma essa relação a afetou, não ouve violência física mas a forma usada para polir sua pessoa e depreciar a sua  imagem a afetaram significativamente mesmo sendo uma jovem autêntica e cheia de vivacidade, como ela mesmo afima.

Malka Lima - Sempre tive um estilo bem básico, do tipo jeans e camisa nerd para quase todas as ocasiões. Muitas vezes íamos apenas dar uma volta no shopping ou algo do tipo e ele me fazia trocar de roupa, pois eu “não estava vestida pra isso”. Dizia muitas vezes que ninguém ia gostar de mim daquele jeito, que eu era desarrumada, que eu precisava ser mais feminina ou os outros iam achar que eu era lésbica. A toda hora ele tentava mudar meu jeito de andar, de falar, de me comportar. Inclusive tom de voz e de risadas ele controlava.

Em um relacionamento é normal ter discussões e diferença de opiniões, mas Se você está com alguém que só te critica, que só aponta os seus defeitos, que sempre deprecia o seu jeito de ser e tudo o que você faz, você esta vivendo um relacionamento abusivo. Pessoas abusivas costumam privar o outro de seus prazeres moldando à sua maneira foi o que aconteceu com Malka, como ela nos conta.

Malka lima - Se ele chamava os amigos pra jogar vídeo game em casa, algo que eu gostava, eu nem podia cogitar a possibilidade de jogar! Tinha que ficar lá do lado, servir as cervejas e petiscos. Um belo dia os amigos encheram tanto o saco que ele “me deixou” jogar e acabei ganhando dele. Os amigos o zoaram muito e quando foram embora resultado: uma briga feia. Falando que eu o tinha humilhado na frente dos amigos, que não tinha necessidade daquilo. O pior aconteceu quando eu resolvi fazer tatuagens. Conversamos sobre, ele disse que não gostava, mas se fossem pequenas e discretas ele não reclamaria. Resultado: ele terminou comigo quando as viu. Eu, como estava dependente dele, fiquei desolada e me humilhei pra que ele voltasse. Prometi que tiraria as tatuagens antes de casarmos, pois esse era o plano.
 
Normalmente a pessoa demora a perceber que esta vivendo um relacionamento abusivo, ser alertada sobre tal situação chega até a parecer  ofensivo o que faz com que a vitima acabe se afastando de familiares e amigos, isolando-se e tornando-se ainda mais vulnerável.

Malka Lima - Meus amigos sempre me alertavam sobre o tipo de relacionamento em que eu estava, mas eu não conseguia enxergar, achava um absurdo! Claro que ele não me fazia mal, ele não me batia nem nada! Eu pintei o cabelo de "cor fantasia" algo que eu queria muito e ele ficou reclamando tanto que pouco depois eu pintei de preto. Short curto? Nunca podia usar, mesmo saindo com ele. Sair só com meus amigos? Fora de cogitação se ele não fosse junto. Pouco a pouco eu fui começando a enxergar que isso tudo me fazia mais mal do que bem e quando um relacionamento chega a esse ponto deixa de ser prazeroso ou se quer de ter um futuro realmente plausível que seja.
FOTO: Arquivo pessoal

A jovem youtuber representa uma grande parte de mulheres que mesmo estando infeliz se condiciona, podemos assim dizer, a viver de migalhas, e sem se dar conta acaba criando uma relação de dependência de seu parceiro, sentindo-se insegura e incapaz de encontrar outro alguém. A jovem não saiu da relação, o namoro só terminou quando o rapaz, até então seu namorado, pois um fim na relação.

Malka Lima - Um dia eu cheguei em casa e ele tinha ido embora. Levado tudo e simplesmente ido embora. Eu sofri muito no começo, chorei e até pensei em me humilhar de novo pra voltar. Quem me deu muito apoio foram meus amigos a quem sou muito grata! A justificativa que ele deu pra ter encerrado o relacionamento é que eu não tinha me adaptado a família dele. Isso só foi um empurrão a mais pra eu segui em frente com a minha vida, do meu jeito. Hoje em dia já superei, mas ficaram alguns vestígios. As vezes se vou colocar um vestido ou um short curto ainda olho pro meu atual namorado e pergunto se posso usar, ele começa a rir e diz que eu posso usar o que quiser, afinal quem tá usando sou eu e eu que tenho que gostar. Aos poucos estou me curando do relacionamento abusivo e entendendo o que é ter um relacionamento de verdade e ser feliz do jeitinho que eu sou!

Todos os dias no mundo mulheres são vítimas de diferentes tipos de violência, seja no lar na rua no trabalho... É preciso falar sobre a fim de coibir esse e qualquer outro tipo; muitas  vezes a vitima acaba por colocar-se de forma passiva diante da situação por sentir –se inferior. Uma relação abusivo  não limita-se a agressão física,  palavras usadas repetitivas vezes para depreciar e limitar a mulher, fere sua  dignidade e caracteriza-se também como violência. 

Promover condição mais digna e justa vai muito além de criações de leis tais como as já faladas aqui; Maria da Penha  e  feminicídio. É preciso falar, levantar discussões e promover de fato politicas publicas que propiciem a aplicação da lei e conscientizar mulheres e sociedade em geral sobre o contexto indigno no qual algumas ainda estão inseridas.
 
FOTO: Arquivo Pessoal
A jovem Malka hoje vive um outro relacionamento de forma saudável, que respeita sua singularidade e se reafirma através de seu blog Malka Lima e seu canal no youtube, sem medos, sem receios, sem censura.