24 abril 2017

PALOMA LIRA, A CINDERELA COM ICTIOSE QUE OS LIVROS NÃO MOSTRAM.

A dificuldade de autoaceitação faz parte da vida de todos, em especial das mulheres. Crescemos ouvindo histórias de mulheres perfeitas tal qual a Cinderela. Toda menina quer ser uma princesa dos contos de fadas, Paloma Lira, não sentir-se menos princesa por ter uma doença sem cura. 


Paloma Lira ( foto arquivo pessoal)
Paloma Aparecida Ferreira Lima, 20 anos, moradora de Pirapozinho interior de São Paulo, estudante de Zootecnia na universidade do oeste Paulista (UNOESTE),  nasceu com uma doença rara chamada Ictiose Congênita popularmente chamada de "escama de peixe". A doença não tem cura, apenas pode ser tratada, a pele apresenta-se dolorosa e sangra com facilidade por conta do ressecamento, as células  envelhecem e morrem de forma mais acelerada  ficando retidas e causando descamação.

Desde bebê a jovem teve que lhe dar com a curiosidade e o preconceito de pessoas desinformadas, que a tratavam como uma anomalia, visitavam sua casa para vê-la, mas tinham cautela em pega-la no colo ou em aproximar-se, com receio de contagio da doença que de fato não é contagiosa. Muitos tampavam o nariz, por conta do odor liberado pela pele. Até então a família não tinha condições de custear um tratamento médico, que tem por finalidade controlar o ressecamento que por sua vez causa os odores.


Essa fama toda( embora negativa) atraiu atenção de dermatologistas que sensibilizaram-se com a  realidade da então criança Paloma, e de forma voluntária forneceram-lhe os devidos cuidados clínicos.

Paloma aos 6 anos



Em meio a todas as adversidades, Paloma cresceu cercada de muito amor, sua mãe e seus avós maternos, a possibilitaram viver sem sentir-se menos do que o outro, e a aceitar-se. As dificuldades nas relações sociais vieram na pré - adolescência ( devemos admitir que esse é um momento complicado para todos nós).
Paloma aos 8 anos ( arquivo pessoal)

Paloma demorou para abandonar as brincadeiras de criança, mas cedo começou a perceber que suas amigas já estavam namorando, e ela não, os meninos não demonstravam interesse em relação a sua pessoa.  "Como sabem que eu tenho essa doença, muitos caras me enxergam com nojo sabe, como se eu fosse de outro mundo, isso no começo me incomodava muito principalmente quando eu entrei na pré-adolescência". Afirma a jovem, que superou e sabe lhe dar com a situação.


Diante de tanta pressão social de ser bonita seguindo perspectiva pouco realista e perfeccionista, muitas mulheres tendem a não aceitar-se muitas acabam entrando até em depressão.Os julgamentos alheios sempre são causadores de sofrimento, mas Paloma não foca naquilo que a diminui e sim na positividade das pessoas que a amam. 



A jovem não se permite abater com as atitudes excludentes de alguns, sendo  exemplo para muitas mulheres. Se aceita, e reconhece-se linda do jeito que é, não tem vergonha de si, expondo-se e fazendo - se aceita, possui até um canal no youtube por nome Cinderela Country
"O nome do canal foi meu melhor amigo Luiz Gustavo que escolheu ele disse que sou uma Cinderela uma princesa na verdade, e como eu gosto do mundo country, ficou Cinderela Country". Afirma ela.
foto: Arquivo pessoal

De fato, ela é uma princesa! Não descuida da vaidade anda sempre muito bem  maquiada e segue sua vida normalmente sem vitimar-se. Para as mulheres que sofrem com baixa autoestima,  com o mesmo problema de saúde que ela, ou qualquer outro relacionado a estética,  ela deixa um recado:



"Devemos nos aceitar do jeito que somos, do jeito que Deus nos criou. A sociedade pode não nos achar lindas mais tem um Deus que nos acha maravilhosas e perfeitas! E não devemos mudar por ninguém, só mude se for te agradar te favorecer! Porque devemos nos agradar nos achar lindas maravilhosas gostosas. Ter amor próprio." 



 O autoaceitar-se possui intrínseca relação com a aprovação do outro ( ser aceito) o processo por se só, já é difícil, para alguém com ictiose parece impossível. Paloma nos mostra o contrário, sendo de fato uma mulher orgulho, uma Cinderela a seu modo.