02 fevereiro 2017

SOBRE O LIMITE DO LIMITE, FILME: A MULHER DO PASTOR

Um crime, uma cidade pequena, um júri e uma mulher submissa.


Tenho uma vida bem corrida, então no meu período de ócio, prefiro ficar em casa, preencho esse tempo entre outras coisas, lendo ou assistindo filmes. Devo admitir que assistir filmes é o que mais faço. Essa semana um em especial me surpreendeu. Uma obra cinematográfica na qual embora já tivesse ouvido algumas alusões a ela não chamou minha atenção. Bom, até ler a sinopse, que me fez parar e mergulhar nessa surpreendente história baseada em fatos reais.


O filme A mulher do pastor, foi lançado em novembro de 2011, porém não é muito conhecido pelo grande público; talvez por não ser uma superprodução e não contar com atores consagrados. Mas vale apena assistir e entender o caso que chocou uma pequena cidade no ano de 2006, para jovens estudantes de direito ou para quem atua na área é uma boa indicação para estudo das alegações usadas no caso
Verdadeira família Winkler Foto AP / Escritório de Investigações do Tennessee
 O filme de forma não linear conta a história do crime, a trama gira em torno de compreender os fatores que levaram uma mulher doce e gentil, exemplo de fé, mãe, esposa; assassinar seu esposo o pastor Matthew Winkler para os fiéis da Igreja de Cristo de Selmer, no Tennessee considerado um homem apaixonante.

RESUMO


Em uma noite o pastor não aparece para os estudos bíblicos, o que nunca havia acontecido, assim dois dos fiéis resolvem ir até a casa da família Winkler encontrando Matthew morto em um quarto com um ferimento de espingarda, esposa e filhas não são encontradas na casa. No dia seguinte Mary Winklermulher do pastor) é encontrada com as três filhas assumindo a autoria do crime.


foto reprodução

Mesmo tendo suas motivações a esposa nega-se a dizer algo que prejudique a imagem de homem perfeito construída pelo marido, até que seu advogado a convence a falar, caso contrário iria sofrer com uma longa condenação e perder a guarda das filhas.
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Diante do Júri Mary confessa os abusos sofridos. Por trás da imagem do bom pastor havia um homem violento, viciado em jogos, que não aceitava ser contrariado pela esposa.  

Na intimidade a forçava vestir-se como uma prostituta, e a assistir pornografia on-line para  reencenar, agia com tanta  brutalidade no sexo que chegava a rasgar a genital da mulher fazendo-a sangrar. Para justificar o ato ele afirmava  haver cirurgias para reparar o dano.
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Diante da situação e  na tentativa de conseguir atenção do marido para uma conversa para por um fim aos abusos pega a espigada tantas vezes apontada a ela e aponta para ele, para chamar sua atenção, não sendo  correspondida e nervosa acidentalmente atira no marido. Com base nas alegações, o júri considera Mary não culpada de assassinato, mas culpado de homicídio involuntário, passando pouco tempo na prisão. O filme termina com ela conseguindo a guarda das filhas e trabalhando em uma lanchonete.
   

CONCLUSÃO 

 

  O filme trás uma reflexão em torno de relacionamentos abusivos, e o discurso religioso que pode ser usado de forma errônea e opressora, sendo desvirtuado por alguns que limitam a liberdade e direitos de outros, não obstante tudo tem limite, para que assim possa-se preservar os dogmas sociais e religiosos no entanto temos que compreender até onde limita-lo, para que relações como a retratada no filme não termine em tragédia. 


Mesmo existindo parâmetros técnicos para se avaliar o que é bom ou ruim, o importante é se o filme é bom para você. No meu caso não gostei ao ponto de sentir vontade de assistir novamente, ele não envolve o telespectador, as tensões não são passadas, nas cenas não há ação adrenalina, o que se espera de uma cena de crime, segue o mesmo ritmo do inicio ao fim. Mas vale apena conferir essa impactante história.