21 fevereiro 2017

CÂNCER, A BATALHA DE CAROLINA PELO BEM ESTAR DE SUA FAMÍLIA

Diagnosticada com câncer de mama, não preocupou-se com a forma como a doença poderia afeta-la, mas como poderia afetar as pessoas que ama. 

Carolina ao lado de sua filha/ Foto: Arquivo pessoal


Carolina Guedes, 47 anos, brasileira, pedagoga, moradora da ilha de Palma de Mallorca - Espanha; é casada e mãe  de uma menina de 15 anos. Por haver  caso de cancêr de mama em sua família, sabia que a probabilidade de  contrair a doença tornavam-se ainda maior.

Mesmo com todos os avanças tecnológicos na área da saúde, no caso do câncer de mama tocar-se faz toda diferença, o autoexame deve ser feito regularmente. Carol Desde os seus 35 anos, quando viu sua vó falecer aos 70, vitimada pela doença; começou a tomar medidas preventivas, fazia controle anual de mamografia e ecografia, mas, foi em uma autoexploração rotineira que descobriu dois nódulos que resultaram em tumores malignos.

Passamos quase cinco meses nos comunicando para conseguir obter de fato, as informações necessárias para esta postagem, os efeitos da quimioterapia a impossibilitavam de digitar. Mesmo com dormências nos dedos, dores no corpo e nas mãos, ela fez questão de responder as perguntas do nosso blog. Neste caso em especial, resolvi preservar as respostas, cada palavra são verdadeiras lições de vida, ela nos mostrar que o câncer, não deve ser encarado como o fim, mais como inicio de uma árdua batalha, como tantas outras que travamos ao longo da vida. Não é sobre o câncer, é sobre encarar a vida sem vitimar-se.

Como sentiu-se ao descobrir a doença, onde buscou forças para lhe dar com a situação?

  
Carolina : "Quando uma pessoa tenta levar uma vida o mais saudável possível e de repente é diagnosticada com a doença mais mortífera existente, a sensação é de que somos todos muito vulneráveis. Nunca senti que era minha culpa por estar doente, e sim, por circunstâncias da minha vida, meu metabolismo permitiu a mutação nos meus receptores."
A família é o maior pilar, ser mãe é uma grande responsabilidade e isso me levou a lutar pelo bem estar da minha filha também.

Qual  momento você julga mais difícil durante o tratamento?


Carolina: "Os momentos mais difíceis que vivi e sigo vivendo (porque depois de acabar a quimioterapia e a mastectomia a luta continua) são quando as medicações te impedem de exercer a função de mãe. Durante a quimioterapia, o teu sistema imunológico se debilita muito, principalmente os três dias seguintes, justamente nesse período a minha filha teve uma gripe muito forte e não pude cuidar dela embora já seja uma adolescente, quero sempre estar perto, cuidar. Acho que a impotência é o pior sentimento que uma pessoa pode ter, estando doente ou não."

O cabelo é visto como símbolo da feminilidade, a perda do mesmo pode afeta significativamente a autoestima da mulher, e esta é umas das consequências do tratamento. Você se preparou para isso, como você assimilou o fato?


Carolina: "Eu acho que a perda do cabelo e as náuseas são os sintomas mais conhecidos da quimioterapia verdade? Por isso é o primeiro sintoma que automaticamente se assimila. Eu assimilei bem,  minha saúde vem antes da minha aparência física

 

Percebo que você trata a doença de forma divertida, é muito bom ver suas redes sociais cheia de vivacidade. É motivante! Quando isso começou?

Carolina:"Comecei a escrever e publicar minhas fotos quando já havia passado um mês desde a minha primeira sessão de quimioterapia. Acompanhava uma página da AECC (associação espanhola de câncer de mama) busquei forças em pessoas que passavam pela mesma situação, e fui surpreendida com a força que surgiram de diferentes formas nesses momentos. É isto que te faz sentir mais viva. Compartilhar minhas experiências foi fundamental, tive ainda mais consciência de que não estava sozinha."
Carol diferentes estagios de sua recuperação/ Foto: Arquivo Pessoal

Como está seu tratamento hoje?

Carolina: "Depois da mastectomia com reconstrução e a extirpação dos ovários, hoje estou em tratamento de pílulas anti hormonais diário e uma injeção a cada 21 dias de um remédio que já tomava na quimio, um bloqueador dos sinais químicas que estimulam a multiplicação descontroladas das células. Os efeitos colaterais desses remédios são muito fortes que quase me deixam tão impossibilitada como quando fazia o tratamento de quimio e vou ter que estar 5 anos me medicando ainda."


O que mudou na sua vida, o antes e depois do câncer?

Carolina: "Sería mais fácil dizer, o que NÃO mudou na minha vida, porque praticamente tudo tomou uma nova forma e direção. Antes de ser diagnosticada, a minha vida tinha uma rotina de uma família pequena e simples, vivo em uma ilha, trabalho junto ao meu marido e temos somente uma filha. Como pode imaginar, costumávamos planejar muito as coisas, fazer muitos projetos e sempre pensando no trabalho e pouca dedicação para nós mesmos. Hoje isso mudou, tentamos viver mais o hoje e não deixamos os sonhos para amanhã."


O que você diria para as pessoas que passam pela mesma situação?


Carolina: "Que sigam o que indica seu coração, que se abram à essa nova experiência que embora seja muito cruel, nos ensina muitas coisas positivas e entre elas, a mais importante é que somos mais fortes do que imaginamos."
Carolina com a família,  um dia antes de ser diagnosticada com câncer.

Carol nos mostra que aceitar os fatos não é conformar-se mas sim procurar o melhor meio para encara-lo. Podemos passar o resto da vida nos vitimando, ou podemos ver em cada problema; um aprendizado e um meio de nos fazer ainda mais fortes. Até mesmo nos piores momentos podemos tirar algo positivo.

Carolina segue seu tratamento, vivendo um dia de cada vez, amando mais valorizando mais. Mesmo sentindo-se fraca em alguns momentos, sabe que é forte, e tenta passar para outras mulheres que elas também podem, e que é possível sentir-se bonita e saudável mesmo estando com câncer.
Acompanhe nossa MULHER ORGULHO no instagram (@carol_bcs)