17 agosto 2017

EU

Por Florbela Espanca




Até agora eu não me conhecia,
Julgava que era eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia. 

Mas que eu não era eu não o sabia 
E, mesmo que o soubesse, o não dissera... 
Olhos fitos em rútila quimera 
Andava atrás de mim... E não me via!
Andava a procurar-me - pobre louca!

- E achei o meu olhar no teu olhar, 
E a minha boca sobre a tua boca!
E esta ânsia de viver, que nada acalma,
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!


Fonte: ESPANCA, Florbela. A mensageira das violetas: antologia. Seleção e edição de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 1999. (Pocket).

08 agosto 2017

AGOSTO DOURADO - LEITE MATERNO É OURO

O mês de agosto é conhecido pela má fama, fatos históricos respaldam a crendice popular. Figuras importantes do meio social e político morrerem nesse período do ano tais como: Marilyn Monroe, Carmen Miranda, Juscelino Kubitschek, popularmente chamado de JK; presidente Getúlio Vargas e no dia 06 de agosto de 1945 o mundo choca-se ao conhecer uma arma em destruição em massa, a bomba atômica lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima por um bombardeiro. Em meio a todos os fatos históricos que o marcam, esse mês tem uma campanha pela vida que poucas pessoas conhecem que merece ser respaldada por encher de beleza um mês tão marcado por tragédias - AGOSTO DOURADO - em prol do Aleitamento Materno.


Foto divulgação


Embora há mais de vinte anos, em agosto, sejam realizadas ações em todo o mundo voltadas para a ação Mundial de Aleitamento Materno. Muitas pessoas ainda desconhecem esse evento e sua importância. O fato deve-se a baixa publicidade em torno da campanha, pois o bem mais precioso o leite materno, tal qual pautado pela a mesma, vale ouro, não precisa de intermédios de grandes empresas, a obra prima é produzida pela própria mãe.

 Em 2017, o tema central é a construção de alianças para proteger o aleitamento materno, pelo bem comum, todos juntos, sem conflitos de interesses, sem nenhum tipo de fins financeiros, a campanha é em prol da vida.
Arena do Grêmio, iluminação especial irá durante a
 Semana Mundial da Amamentação, de 1º a 7 de agosto Foto/ Divulgação Grêmio

Durante todo o mês pontos turísticos, simbólicos, espalhados pelo mundo todo, como o Cristo Redentor, serão iluminados pela cor dourada, com o objetivo de chamar a atenção para esse movimento de incentivo à amamentação como o alimento exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, com o objetivo de consequentemente melhorar a saúde dos bebês. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a amamentação é uma das formas mais eficazes de garantir a saúde e a sobrevivência dos recém-nascidos. Se toda criança fosse amamentada desde o nascimento até os 2 anos, mais de 800 mil vidas seriam salvas anualmente, estimam as entidades.
Foto reprodução

O leite materno é um alimento completo e essencial, é o sangue da mãe sem os glóbulos vermelhos, ele contém hormônios, imunoglobulinas, células de defesa, fatores de proteção, o que é essencial, por reunir as características nutricionais adequadas as exigências nutricionais do bebê. Leite materno é vida, amamentar é um ato de amor.

01 agosto 2017

NEM TUDO É O QUE PARECE, FILME A GAROTA DO TREM


O cinema necessita de uma linguagem mais rápida e precisa, embora nessa precisão perca-se muito da essência da obra original. Mas enfim, entre o livro e o cinema o melhor é não fazer comparações estes possuem distinções. Se você ler uma obra se envolve imagina as situações os personagens e vai com expectativas de ver isso nas telas, não se iluda, lembre-se que você vai ter uma adaptação não uma cópia. O filme desta semana trata-se de uma adaptação.

Foto divulgação


O filme lançando em 2016, é uma adaptação do best-seller, A Garota do trem ( The Girl on the Train) escrito por Paula Hawkins, onde conta a história de três mulheres; Rachel ( Emily Blunt), Megan (Haley Bennett) e Anna (Rebeca Ferguson) que rebelam-se contra pressões masculinas e sociais.

O longa, embora condensado, baseia-se nestes fatos trazendo questões de abuso psicológico, violência de gênero e pressões de maternidade. 
Foto divulgação
A protagonista Rachel , no qual o titulo se refere, por passar boa parte do seu dia no trem, foge a regra, por trata-se de uma alcoólatra desempregada e em estado de degradação social. A mesma sofre com apegações, nos quais deixam espaços na narrativa que impossibilita a compreensão e construção dos fatos. A trama é um verdadeiro quebra cabeças, é literalmente a confirmação de que nem tudo é o que parece

 A história contada de forma não linear lhe prende do inicio ao fim. Através de flashbacks e de forma paralela vamos conhecendo o íntimo das três mulheres, que na verdade são pessoas tristes vitimas de homens opressores. 

Rachel ( A garota do trem) sofre com um divórcio recente, por conta da traição do marido, todos os dias passa por seu antigo bairro onde vive, Tom, o ex-marido agora com nova esposa, Anna e um bebê, o que a frusta pois sofreu muito para aceitar a sua própria infertilidade, o que a levou a desenvolver uma depressão severa e o alcoolismo, antes mesmo da separação. Nessas viagens começa a observar um outro casal, seus ex vizinhos, nos qual transferi sua ideia de felicidade. 

Tudo muda quando Rachel ver da janela do trem a moça ( Megan) beijado outro homem, o que a faz relembrar a traição sofrida pelo marido, a jovem exemplo de felicidade a decepciona, ao vê-la jogar a sua julgada vida “ perfeita” , fora. Nesta mesma noite Megan some, e esse sumiço é o mistério a ser desvendado, com ele várias outras mentiras e fatos obscuros vão sendo descobertos, em um maçante processo de construção e desconstrução da história. 

 O que fica claro ao publico é que Rachel de algum modo esteve relacionada ao sumiço da jovem, mas por conta da bebida e de seus apagões não consegue lembar o que aconteceu.
Foto divulgação
O que houve com Megan? Que relação tem a vida dessas três mulheres? Três histórias, três mulheres muito humanas, cheia de falhas, que tem suas vidas ligadas através de um crime. Saiba mais sobre este mistério, assista ao filme, espero que goste, além do suspense e as sensações causadas, possibilita-nos  profundas reflexões sociais.

20 julho 2017

O PODER É SEU!

O segredo do sucesso está no próprio "eu", não limite-se faça acontecer.


Foto: Hyago Kayann


Em séculos diferentes, mulheres nas mais variadas instâncias lutam pela a liberdade de escolha, uma vanguarda que nos permitiu chegar até aqui; ainda se tem um longo caminho a se trilhar, é fato, mas não podemos fazer o percurso retrógrado. Você tem o poder! O caminho está aberto, antes estávamos presas a decisão de um outro; pai, depois marido, e os filhos, não que estes fossem os carrascos na vida da mulher, mas os fatores históricos e sociais respaldavam esta condição. Hoje estas situações fazem parte apenas da história do patriarcado, tornando-se arcaica. Ao menos é o que deveria ser.


Vamos sempre ser cobradas sobre ser ou estar, o que vestir o que é julgado uma postura correta ou não, a necessidade de casar-se, ser mãe e tantas outras coisas julgadas ser função natural da mulher, mais lembre-se a escolha é sempre sua. Fazer sempre o que as pessoas esperam significa viver em função do outro, e quanto a você? A vida fica muito mais leve quando você, eu disse V-O-C-Ê , escolhe o que de fato lhe representa e lhe faz bem.

Não viva em função de agradar o outro, lembre-se o outro é só complemento da sua vida. Não é sobre o que as pessoas pensam de você, é sobre o que você pensa sobre você mesma, só você pode se definir, usamos a máxima que diz: "Minha reputação é o que as pessoas pensam sobre mim, minha consciência é o que de fato sou."

Esse poste é um convite a se fazer a experiência do eu, já rompemos estereótipos preconceitos, agora se faz necessário valorizar as particularidades, e isso só depende de você, quando decidimos ser feliz consigo mesma, sem imposições, tudo fica mais leve. Somos livres para fazer nossas próprias escolhas, não se reprima, a conquista do seu espaço só depende de suas atitudes; então, busque, ouse, faça acontecer, pois o poder é seu.

15 julho 2017

KELL SMITH, MÚSICA - ERA UMA VEZ, RESGATANDO O REFINAMENTO NA MPB

Quando ouvi a música; Era Uma Vez, pela primeira vez, fiquei extasiada, queria repetir várias vezes, é esta sensação que uma música boa nos trás.  A artista, filha de um casal de pastores missionários evangélicos,  trás o refinamento na qual vem sendo deixado de lado pela música brasileira.

foto reprodução

Há músicas hoje, que alcançam grandes sucessos e movimentam milhões para o artista e demais pessoas envolvidas, muitas vezes consideradas "músicas chicletes", que em alguns casos nem letra tem no refrão, sendo apenas sons com junções de algumas sílabas, ou rimas previsíveis, em um arranjo com poucas ou nenhuma variação, que podem até durar um ano, um pouco mais ou bem menos na mídia, mas logo caem no esquecimento, pois estas possuem tão pouco conteúdo que tornam-se  descartáveis.


A MPB que faz parte da nossa realidade atual, é apenas voltada para vender, a mensagem o conteúdo a poesia até mesmo a rebeldia trazidas nas músicas de artistas como Cazuza e Renato Russo não ganham respaldo nas composições. Kell Smith de 23 anos que tem como grande influência em sua carreira artistas como Elis Regina, nos presenteia e resgata a qualidade da música brasileira com letras bem escritas e mensagens que envolvem e transportam; é o caso do single - Era uma vez.

 Não queremos e nem podemos desmerecer os artistas no cenário atual, tem algumas exceções. Vale lembrar que valorizar a cultura é bem mais que produzir o que o povo gosta, é fazer o povo gostar do que é bom; se não for produzida músicas mais refinadas, não haverá cultivo do interesse, e de fato existe música boa produzida em longa escala, apenas não ganham tanto espaço na mídia grande influenciadora da cultura de massa.  No entanto hoje temos a internet onde esses artistas podem divulgar seu trabalho, kell smith está no Spotify onde quem tem acesso ao aplicativo pode ouvir mais músicas ,  no youtube e em outras plataformas, também podemos saber um pouco mais sobre a artista.


Kell Smith- foto reprodução


Kell é versátil consegui ir de um extremo a outro sem sair de sua essência. seu primeiro sucesso - Respeita as Mina; "[...]Respeita as mina/Toda essa produção não se limita a você/Já passou da hora de aprender/Que o corpo é nosso nossas regras nosso direito de ser".  Possui caráter mais intenso e engajada em uma mistura de rip hop com pop.

Em Era uma vez a artista trás o seu lado doce, falando de saudade de um tempo que não volta mais, onde as dores eram mais simples.



"[...]Dá pra viver Mesmo depois de descobrir que o mundo ficou mau
É só não permitir que a maldade do mundo
Te pareça normal
Pra não perder a magia de acreditar na felicidade real
E entender que ela mora no caminho e não no final
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido."


Em entrevista a rádio NOVA BRASIL FM a cantora fala sobre suas inspirações para compor a música :
Na realidade “Era uma vez” surgiu de uma conversa em casa, porque eu tenho uma equipe de composição, eu falo… Eu tenho minha empresaria, minha assessora, minha backing vocal… Então, como eles moram comigo, na maior parte do tempo, nós compomos juntos. A música era para ser sobre saudades, só que ai todo mundo começou a falar sobre a saudade da infância, sobre como era bom antes de ter crescido como todo mundo quer e “Era uma vez” surgiu desse pensamento em comum, tava todo mundo falando tanto da mesma coisa, do mesmo ponto, que não tinha como escrever sobre saudades de uma outra forma, ai surgiu “Era uma vez”.

Se você ainda não ouviu falar de Kell Smith, ainda vai ouvir, música boa deve ser valorizada e divulgada a jovem com seu talento já começa a deixar de ser promessa para ser realidade no cenário musical brasileiro.

09 julho 2017

ENVELHECER É UM MAL NECESSÁRIO; FILME A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE

Após um longo período sem postagens, voltamos com o filme da semana. 


Estou em falta com o blog. Admito. Mas em respeito aos amigos leitores e seguidores, tenho que fugir da rotina e vir aqui produzir conteúdo. Recebi algumas críticas quanto a falta de publicações regulares e a respeito dos ultimos textos julgado rasos e de baixa qualidade. Agradeço a essas pessoas, críticas são sempre bem vindas; mas devo admitir que estou tentando passar informações mais rápidas sendo sucinta nas publicações, textos longos não são muito atrativos, hoje a maioria das pessoas preferem o youtube à sites e blogs, a prática da leitura está cada vez mais limitada.

Foto divulgação
Sem mais delongas vamos a dica de hoje. O filme da semana chama-se A Incrível história de Adaline ( The age for Adaline) lançado em 2015. Este trás uma excelente reflexão quanto a busca da perpetuação da juventude e longevidade, algo almejado pela maioria das pessoas em especial as mulheres. Adaline Bowman  personagem título interpretada por Blake Lively, não se inclui necessariamente nesse grupo.

 Na década de XX, casada e com uma filha pequena, Adaline tem sua vida transformada após tornar-se imortal e permanecer com a aparência de 29 anos em consequência de um grave acidente aliado a fatos climáticos  segundo a lógica da trama, minuciosamente narrado com uma explicação meio absurda o que dá um toque de ficção científica ao filme.
Foto divulgação
A jovem mãe, acaba se isolando por receio de ser vista como uma anomalia, e fechando-se ao amor. O filme tem um inicio espetacular com narrador  fazendo as introduções, mais ao fim resume-se a mais uma história de amor, com um final previsível.  Mas vale apena assistir, e refletir que envelhecer é um processo natural e necessário, Adaline vive quase oito décadas, mas isso significou perder pessoas, e não passar pelos estágios natural da vida ao lado de pessoas amadas e queridas, como sua filha, com quem compartilhava seu segredo, que aparece representada nos tempos atuais com idade de ser sua avó.

Se ainda não lhe convence, para quem gosta, o filme trás o glamour do estilo vintage. Adaline atravessa as décadas sem perder seu estilo as roupas o cabelo foi muito bem pensado para manter a essência da personagem. E ainda como não poderia faltar quando se fala em vintage, tem Lana Del Rey com a música Life is Beautiful na trilha sonora,  música produzida exclusivamente para o filme.  

Para saber mais,mergulhe nessa surpreendente história, assista ao filme.Espero que goste da dica, uma ótima semana a todos!

10 junho 2017

FLORBELA ESPANCA A MENDIGA DO AMOR

Uma mulher, rejeitada pelo pai, que não pode ter filhos, tratada de forma excludente por alguns pelo fato de viver sua liberdade de forma boêmia, sente-se em função de "mendiga". Refiro-me a Florbela Espanca ( 1894-1930) poetisa portuguesa que tem como características principais de sua obra o erotismo e a melancolia.




MENDIGA


Na vida nada tenho e nada sou;
 Eu ando a mendigar pelas estradas...
 No silêncio das noites estreladas
Caminho, sem saber para onde vou! 

Tinha o manto do sol... 
quem mo roubou?! 
Quem pisou minhas rosas desfolhadas?! 
Quem foi que sobre as ondas revoltadas 
A minha taça de ouro espedaçou? 

Agora vou andando e mendigando, 
Sem que um olhar dos mundos infinitos
 Veja passar o verme, rastejando...

Ah, quem me dera ser como os chacais
 Uivando os brados, rouquejando os gritos
 Na solidão dos ermos matagais!...


De todos os infortúnios vivenciados por Florbela, o maior deles e o mais sentido, foi a perda a do irmão, em 1927, em um acidente de avião, fato que a levou a tentar  suicídio. A morte de Apeles Espanca, a deixou ainda mais melancólica o que refletiu significativamente em sua obra. Fato que se faz sentir no poema In memoriam.

Florbela Espanca e seu irmão Apeles Espanca (1904)- Foto reprodução


IN MEMORIAM
Ao meu morto querido

Na cidade de Assis, Il Poverello

 Santo, três vezes santo, andou pregando
 Que o sol, a terra, a flor, o rocio brando,
 Da pobreza o tristíssimo flagelo,

Tudo quanto há de vil, quanto há de belo,
 Tudo era nosso irmão! 
- E assim sonhando,
 Pelas estradas da Umbria foi forjando
 Da cadeia do amor o maior elo!

"Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água...
" Ah! Poverello! Em mim, essa lição
 Perdeu-se como vela em mar de mágoa

Batida por furiosos vendavais!
 - Eu fui na vida a irmã de um só irmão,
 E já não sou a irmã de ninguém mais!




Seus poemas carregados de intimismo refletem muito sobre sua curta vida. Florbela suicidou-se aos 36, no dia de seu aniversário, às vésperas da publicação de sua obra prima “Charneca em Flor”, que só foi publicada em janeiro de 1931. 

 Uma mulher de olhar triste, com um fim triste, de poemas tristes,  que nos envolve e nos encanta com suas palavras sempre regadas de um único desejo - amar. 


AMAR!


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui...além... 
Mais este e aquele, o outro e toda a gente....
Amar!Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
 Prender ou desprender? É mal? É bem?
 Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida, 
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
 Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca - foto reprodução

Mágoa,  angústia, sofrimento, desencanto, solidão... As dores emocionais dão sabor a obra da poetisa portuguesa Florbela Espanca, expressando o seu desejo de amar; "Eu quero amar, amar perdidamente!/Amar só por amar: aqui...além..." O fato pode justificar sua vida  amorosa turbulenta, com divórcios e adultérios, um escândalo para sua época, mas que representa bem essa busca, ou como ela mesmo coloca em alguns de seus poemas -  mendigar amor.



Fonte:
ESPANCA, Florbela. A mensageira das violetas: antologia. Seleção e edição de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 1999. (Pocket). 

05 maio 2017

SORORIDADE; SE NÃO HÁ IRMANDADE, RESPEITO TEM QUE HAVER.

 Quando fala-se em sororidade logo se pensa em feminismo, (mulheres amarguradas unidas para dominar o mundo) parece um conceito radical, mas muitas pessoas até mesmo as próprias mulheres acabam condenando o termo, simplesmente por falta de informação - vale ressaltar que a falta de informação, é o fator propulsor do preconceito

Foto: Hyago Kayann

Quantas vezes você já ouviu ou já falou a frase, “ mulher veste-se para outra mulher”? Quantas vezes você já perdoou o seu namorado ou marido por uma traição, mais não perdoou, repugna, acha que não vale nada a mulher por trás desta? Quantas vezes julgou uma mulher como um alguém que não se dar respeito? Quantas vezes julgou uma mulher por não ser  boa esposa, dona de casa, boa mãe, boa cristã, enfim, boa? Quantas vezes condenou uma mulher por não querer ser mãe? ( Não querer ser mãe ainda é um tabu na sociedade, em contra partida tem muitos homens que simplesmente não assumem seus filhos, nesses casos não tem problema. Ahamm!) Bom o repertório é vasto, mas paro por aqui. Mas se sua resposta para estes questionamentos foi – “Na maioria das vezes”. Amiga, senta aqui vamos conversar.


A sororidade pode ser vista como forma de combate ao machismo velado, a rivalidade feminina alimentado pelas próprias mulheres. A palavra no sentido etimológico  origina-se do latim (sóror), que significa “irmãs”. Este termo pode ser considerado a versão feminina da fraternidade, que se originou a partir do prefixo (frater), que quer dizer “irmão”. 

 Não quero entrar aqui no mérito do feminismo, sou muito questionada sobre esse assunto pelo fato de escrever sobre mulheres, (afirmo e reafirmo aqui, que existe uma linha entre as feministas e antes feministas, eu estou nesta linha). O que de fato acredito e prego é o respeito. Se não há respeito, nem mesmo entre pessoas de um mesmo gênero, no caso o feminino, nunca atingiremos a paridade entre gêneros.

A competição entre os seres humanos existe desde a idade da pedra, é uma questão de sobrevivência. Mas entre as mulheres esta é mais palpável, temos uma disputa de ego, opressora e discriminadora; o julgamento prévio entre nós, ajuda a fortalecer estereótipos preconceituosos. Fala-se tanto de machismo como opressão as mulheres, mas na verdade, a grande massa destas é reprodutora do que julga ser machismo. 

Não estou querendo defender que devemos viver todas unidas como irmãs. Somos humanas! Como qualquer um outro temos falhas, não temos a obrigação de alimentar relações ácidas, ou tolerar atitudes insensatas de uma outra mulher levadas por um "pacto" de irmandade. Defendo a sororidade tal qual a fraternidade, ligada ao principio de liberdade e Igualdade, no caso entre mulheres. E isso só é possível através do respeito, respeitando-se, e respeitando seremos assim respeitadas.

24 abril 2017

PALOMA LIRA, A CINDERELA COM ICTIOSE QUE OS LIVROS NÃO MOSTRAM.

A dificuldade de autoaceitação faz parte da vida de todos, em especial das mulheres. Crescemos ouvindo histórias de mulheres perfeitas tal qual a Cinderela. Toda menina quer ser uma princesa dos contos de fadas, Paloma Lira, não sentir-se menos princesa por ter uma doença sem cura. 


Paloma Lira ( foto arquivo pessoal)
Paloma Aparecida Ferreira Lima, 20 anos, moradora de Pirapozinho interior de São Paulo, estudante de Zootecnia na universidade do oeste Paulista (UNOESTE),  nasceu com uma doença rara chamada Ictiose Congênita popularmente chamada de "escama de peixe". A doença não tem cura, apenas pode ser tratada, a pele apresenta-se dolorosa e sangra com facilidade por conta do ressecamento, as células  envelhecem e morrem de forma mais acelerada  ficando retidas e causando descamação.

Desde bebê a jovem teve que lhe dar com a curiosidade e o preconceito de pessoas desinformadas, que a tratavam como uma anomalia, visitavam sua casa para vê-la, mas tinham cautela em pega-la no colo ou em aproximar-se, com receio de contagio da doença que de fato não é contagiosa. Muitos tampavam o nariz, por conta do odor liberado pela pele. Até então a família não tinha condições de custear um tratamento médico, que tem por finalidade controlar o ressecamento que por sua vez causa os odores.


Essa fama toda( embora negativa) atraiu atenção de dermatologistas que sensibilizaram-se com a  realidade da então criança Paloma, e de forma voluntária forneceram-lhe os devidos cuidados clínicos.

Paloma aos 6 anos



Em meio a todas as adversidades, Paloma cresceu cercada de muito amor, sua mãe e seus avós maternos, a possibilitaram viver sem sentir-se menos do que o outro, e a aceitar-se. As dificuldades nas relações sociais vieram na pré - adolescência ( devemos admitir que esse é um momento complicado para todos nós).
Paloma aos 8 anos ( arquivo pessoal)

Paloma demorou para abandonar as brincadeiras de criança, mas cedo começou a perceber que suas amigas já estavam namorando, e ela não, os meninos não demonstravam interesse em relação a sua pessoa.  "Como sabem que eu tenho essa doença, muitos caras me enxergam com nojo sabe, como se eu fosse de outro mundo, isso no começo me incomodava muito principalmente quando eu entrei na pré-adolescência". Afirma a jovem, que superou e sabe lhe dar com a situação.


Diante de tanta pressão social de ser bonita seguindo perspectiva pouco realista e perfeccionista, muitas mulheres tendem a não aceitar-se muitas acabam entrando até em depressão.Os julgamentos alheios sempre são causadores de sofrimento, mas Paloma não foca naquilo que a diminui e sim na positividade das pessoas que a amam. 



A jovem não se permite abater com as atitudes excludentes de alguns, sendo  exemplo para muitas mulheres. Se aceita, e reconhece-se linda do jeito que é, não tem vergonha de si, expondo-se e fazendo - se aceita, possui até um canal no youtube por nome Cinderela Country
"O nome do canal foi meu melhor amigo Luiz Gustavo que escolheu ele disse que sou uma Cinderela uma princesa na verdade, e como eu gosto do mundo country, ficou Cinderela Country". Afirma ela.
foto: Arquivo pessoal

De fato, ela é uma princesa! Não descuida da vaidade anda sempre muito bem  maquiada e segue sua vida normalmente sem vitimar-se. Para as mulheres que sofrem com baixa autoestima,  com o mesmo problema de saúde que ela, ou qualquer outro relacionado a estética,  ela deixa um recado:



"Devemos nos aceitar do jeito que somos, do jeito que Deus nos criou. A sociedade pode não nos achar lindas mais tem um Deus que nos acha maravilhosas e perfeitas! E não devemos mudar por ninguém, só mude se for te agradar te favorecer! Porque devemos nos agradar nos achar lindas maravilhosas gostosas. Ter amor próprio." 



 O autoaceitar-se possui intrínseca relação com a aprovação do outro ( ser aceito) o processo por se só, já é difícil, para alguém com ictiose parece impossível. Paloma nos mostra o contrário, sendo de fato uma mulher orgulho, uma Cinderela a seu modo.   



12 abril 2017

ESCREVER E PENAR

Por Ana Elizandra Gomes Ribeiro




Eu escrevo e peno
e a pena se empenha
neste letárgico rimar.

Escrever
         Penar
           Seguir
é minha lida
ou minha sina.
Não sei.

Quando peno, escrevo
e a pena me alivia
a pena de viver
no escrever

Quando escrevo, peno
e a pena comigo pena
na lida de fazer
da dor um poema
Anna Elizandra/ Foto: Reprodução


É com muito prazer que trago um dos poemas que particularizante mais gosto de Ana Elizandra Gomes Ribeiro.

Numa rápida analise podemos observar que o poema possui quatro estrofes, que a principio transmitem  ideia de simplicidade pela singeleza na qual as palavras são colocadas. Em uma leitura mais atenta podemos perceber a riqueza na qual cada palavra é colocada. Logo na primeira estrofe a poeta fala sobre o seu sentir poético:


Eu escrevo e peno
e a pena se empenha
neste letárgico rimar.


Em uma analogia entre a pena( usada nos primórdios da  escrita) e o penar (sofrer,melancolia) A poeta reflete sobre o seu fazer poético ao ponto que o eu-lirico não sabe ao certo, se de fato é sua lida ou sua sina.

Escrever
         Penar
           Seguir
é minha lida
ou minha sina.
Não sei.


Nas duas ultimas estrofes cogita - se sobre sua escrita, sendo que seu penar aguça sua criatividade e a faz escrever. Nesse caso a escrita é o modo encontrado para o alivio das frustrações rotineiras. Assim ESCREVER E PENAR, tornam-se aliados " fazendo da dor um poema".

Quando peno, escrevo
e a pena me alivia
a pena de viver
no escrever

Quando escrevo, peno
e a pena comigo pena
na lida de fazer
da dor um poema


Ana Elizandra é minha conterrânea, mora no meu estado Maranhão, e minha Cidade Santa Luzia, o que é um orgulho para mim. Ela que tem participação em diversas antologias e possui livros  lançados. Os principais deles são: Conversa de Alguém que sente, 2008. Quatro mãos, 2010 e o mais ressente; Disperso em verso, lançado em 2015. Com sua obra Ana já recebeu diversos prêmios dentro e fora do país. Embora exista poemas escritos por ela com caráter engajado levantando questões sociais, o intimismo é o que melhor caracteriza sua escrita. 


30 março 2017

A HISTÓRIA DE UMA ESTRELA, FILME SELENA

Esta cada vez mais difícil conseguir aparecer por aqui, assim fiquei devendo o filme da semana passada, mas voltamos e já temos a indicação desta semana. O filme lançado em 1997,  conta a comovente história de Selena Quintanilla, cantora assassinada no auge de sua carreira. 


Jennifer Lopes interpretando Selena/ foto reprodução



O filme biografia intitulado "Selena", com direção de Gregory Nava foi lançado em seu país de origem, Estados Unidos, sobre fortes criticas de alguns que julgavam oportunismo da família em lançar um filme  15 meses  após a sua morte. Muitos acreditam que foi uma forma de alavancar o álbum que estava pronto na época, e preste a ser lançado. Porém existem aqueles que julgam que foi a forma encontrada de manter viva a memória da brilhante e talentosa cantora. E de fato assim se fez. Através do filme estrelado por Jennifer Lopes, que teve seu primeiro papel de destaque. Selena alcançou sucesso póstumo, tornando-se conhecida em todo o mundo.


A história narra a transição e amadurecimento de sua vida profissional, da infância aos 9 anos a fase adulta, aos 23 anos quando é assassinada. 
Selena e sua banda/ foto reprodução

A carreira inicia na banda Selena y Los Dinos, grupo formado por ela e seus irmãos e idealizado por seu pai. Banda que tinha por objetivo animar rodeios e festas municipais, no entanto, Selena ganha destaque por seu talento singular, tornando-se " A Rainha da Cumbia", e conquistando um mercado até então dominado por homens.


Registro real de Selena ao lado de sua
assassina Yolanda Saldíver/ foto reprodução
Na época de sua morte Selena já faturava
muito com sua carreira, já fazia publicidade
para grandes empresas a exemplo a Coca-cola,
 na qual foi garota propaganda.


A vida de Selena é interrompida no auge de sua carreira onde vinha conquistando cada vez mais publico, fama e dinheiro. Sua vida é tirada pela enfermeira  Yolanda Saldívar, que também era presidente de seu fã-clube. Após ser demitida por uma suspeita de roubo, em uma das empresas de Selena no qual a era administradora, Saldívar  não consegui lhe dar com a rejeição de sua ídola;  atraiu a cantora para um hotel, e, após uma discussão, atira na jovem pelas costas.
Imagem real de Selena em seu caixão, o filme
trás algumas imagens de noticiários da época,
onde mostra a comoção das pessoas e a multidão
que se forma para lhe dar o ultimo adeus./ Foto reprodução 

O filme trás apenas alguns fleches da morte da jovem cantora que causou forte comoção, sendo noticia em todo o mundo, o foco é a vida de um alguém que acreditou em seu sonho, mesmo com todas as adversidades. A temática não esta apenas voltada ao entretenimento e a biografia de uma pessoa famosa, temos questões sociais tais como: o preconceito que os latinos/mexicanos-americanos enfrentavam nos Estados Unidos, a mulher ganhando espaço no universo musical e o principal deles o fanatismo.
jennifer Lopes em cena/ foto reprodução


Jennifer Lopes, foi selecionado para interpretar a personagem principal por sua capacidade vogal, e por ter as mesma medidas de Selena ( boa parte dos figurinos usados nas filmagens eram da própria Selena).
Jennifer Lopes no papel de Selena/ Foto reprodução

Imagem real de Selena/ Foto reprodução

Os traços Latinos da cantora eram bem expressivos, para deixar a interprete o mais parecida possível, trabalhos de enchimento nas nádegas, maquiagens com delineado gatinho, para aproximar-se ao olho puxado da cantora, contorno de boca para fora, para deixar os lábios mais carnudos; foram alguns dos artifícios usados na caracterização. Tudo foi muito bem pensado, para deixar o mais realista possível a história.
Devo admitir que o filme causa-me forte comoção, é com muito prazer que o indico,  tenho apresso pela história dessa obra cinematográfica. Tentei ser o mais sucinta possível,a ideia não é resenhar o filme, e sim motiva-los a assistir. Espero que gostem!