25 dezembro 2016

ALICE AGUERRIDA, EMPODERAMENTO ATRAVÉS DA CONSCIÊNTIZAÇÃO

Alice encontrou na situação de oprimida um meio para lutar contra a opressão.


O preconceito é tão presente no dia a dia que passa despercebido. Bom; para quem pratica, pois para quem sofre, seja por opção sexual, religião, cor... Enfim, é palpável. Todos nós temos dificuldades para reconhecer-se, autoafirmar-se, este é um processo continuo que oscila em diferentes momentos da vida, sendo mais intensos na adolescência e juventude. 

Uma jovem ser julgada diferente, diminuída, ridicularizada, "dar de cara com a intolerância," sendo vitimas de insultos excludentes, que afirmam que sua cor é ruim, seu cabelo é ruim, afeta significamento sua existência. Alice Alves, 18 anos, da cidade de Santa Inês no estado do Maranhão, sofreu com a degradante situação social ao que refere-se a discriminação. No banheiro da instituição federal, na qual estudava, viu-se exposta de forma, podemos assim dizer menosprezante, que iniciou com insultos ao seu cabelo , tomando dimensões ainda maiores. 

Alice pensou em descobrir quem eram os opressores, para poder acabar assim com a opressão. Ela é linda, delicada, sorriso encantador, parece uma princesa, é difícil entender que tenha passado por constrangedora situação. O que motiva e impulsiona pessoas a tomarem tal iniciativa? A resposta é simples crescemos ouvindo que princesas são brancas como a neve lábios rosados, que o preto é ruim, que o belo e o delicado refere-se a pessoas de pele branca, e tantos outros esteriótipos. 

 Não podemos simplesmente condenar pessoas que na verdade possuem convicções forjadas pela sociedade, o que devemos fazer é de algum modo mostrar que os conceitos são limitados, não condizem com a realidade. A estudante  sabia que eram apenas jovens assim como ela, que o problema tem dimensões maiores, é social, e que mesmo se medidas punitivas julgadas justas fossem tomadas com estes, sempre existirá outros, e tantas outras "Alices" assim como ela passam ou já passaram por esta situação.

Pautada neste argumento resolveu responder de uma forma diferente. Não indo em busca de punição mas sim de conscientização, tando de quem sofre como de quem pratica. Assumiu o seu cabelo natural BC, fez um poema colou-o nos murais, e com ajuda de professores, assistentes sociais e a psicóloga do campus criou uma campanha de combate ao racismo, intitulada: VALORIZAÇÃO DA BELEZA NEGRA. Com a ajuda de uma amiga, que tornou-se parceira do projeto, no qual ela diz ser muito grata, pois esta fotografou 31 pessoas negras sem cobrar nada, montaram uma exposição fotográfica voltada para o  projeto que foram expostas em um sarau literário em julho deste ano, no qual foi um grande sucesso.



Parceiras do projeto: Valorização da beleza negra. Foto: Arquivo Pessoal
“Nosso projeto foi apresentado em um encontro de NEABI`S em São Luís, e recentemente nosso artigo foi aprovado para participarmos de um congresso em Maceió. O objetivo agora é expandir e dar continuidade, levando-o para as escolas daqui de Santa Inês.” Afirma Alice.

O projeto ganhou notoriedade e vem crescendo cada vez mais, Alice afirma que a intenção era ajudar outras pessoas que também foram vitimas, não imaginava que teria tamanha repercussão.
Empoderada de si,  conseguiu contagiar a outros a sua volta, sua ação trouxe reações positivas, pode até não surtir efeito imediato, mas deu forças a outras mulheres e meninas que conseguiram perceber a beleza em ser quem é, que cor, cabelo, não é ruim, o que há de ruim é o preconceito. Sobre como senti-se ela diz:


"A principio senti uma revolta muito grande porque é isso que o racismo me faz sentir. Mas tudo isso me fez mais forte, pois agora eu sinto um amor pela cultura africana, pela minha cor, e principalmente por meu cabelo. Tudo isso serviu para eu ter certeza de quem sou, para me encontrar no mundo."

Alice encerra o ano de 2016 concluindo o ensino médio, e renovada, este ano a trouxe significativas transformações, tanto externa como internamente.  Ela ainda almeja mais, quer que muitas outras pessoas, tantas vezes silenciadas pelo preconceito possam libertar-se, sentir-se mais forte e aguerrida assim como ela.
Alice Alves, antes da transição/ Foto - Arquivo pessoal
Alice Alves, inicio de transição/ Foto: Arquivo pessoal
Alice é uma guerreira, sua luta é travada com o uso de informação, aqui no blog muitas vezes afirmo que devemos autoafirma-se impor-se, quando uso esses termos, não estou querendo dizer que devemos ir contra o conservadorismos, radicalizando banalizando os conceitos sociais, nossa jovem aguerrida representa de fato o que afirmo, e reafirmo em cada postagem, que devemos ser quem é, sem deixar-se diminuir -se , por racismos, machismos, e toda forma de “ismo”, que possa sufocar  nossa existência.
Alice Alves/ Foto: Arquivo Pessoal