02 novembro 2016

ARYANE ALVES, ROMPENDO PRECONCEITOS: "SOU LÉSBICA, E DAÍ?"

Aryane Alves 23 anos estudante universitária afirma sem receios: "Sou lésbica". Porém chegar a essa palpável segurança, envolveu um processo doloroso de aceitação.

Aryane Alves- Foto: Arquivo pessoal

Sua descoberta veio através de uma amiga de infância, ambas eram hétero, até que se viram diante de um sentimento que ultrapassava o sentimento de amizade. Acabaram se envolvendo sexualmente, mas resolveram romper para preservar a amizade. A amiga casou-se com um homem, e Aryane continuou  envolvendo-se com mulheres.   

A jovem assumiu-se aos 17 anos, rompeu um noivado,  e saiu de casa, da proteção da família e dos mimos em especial do pai. Seus familiares não  aceitavam sua orientação sexual. 

Embora demonstre segurança e ousadia em assumir suas verdades, Aryane sofreu com a falta da família; em especial do pai, com o olhar discriminatório, o menosprezo e a ridicularização por parte de algumas  pessoas.

Aryane Alves - Foto: Arquivo pessoal
Hoje sua relação familiar está melhor, as opressões de certo modo continuam. Para as pessoas que a condenam ela apenas afirma: " Sou lésbica e daí. Ser lésbica não me torna menos mulher, sou apenas uma mulher, que gosta de mulher."  

Eu acrescento mais, ser homossexual não torna alguém menos humano, se não aceita, respeite, são pessoas como qualquer uma outra, não são anomalias como muitos julgam ser, trabalham estudam travam lutas pessoais,  como qualquer um outro.

Se ultrapassam limites? Ultrapassam, não posso negar, muitos de fato não se preservam, mas entre os julgados héteros também existe. A questão que temos de fato é o tabu que envolve a sexualidade em si. Esses conceitos estão associados a uma ampla gama de  preconceitos  que oprimem  a liberdade já até falamos recentemente  aqui em : Padrões são conceitos opressores da liberdade de expressão .  

Aryane representa a garra da mulher que não tem medo de fugir aos padrões e conceitos julgados politicamente corretos.  Hoje mantém um relacionamento com outra mulher, e sente-se realizada com sua orientação sexual. A ela admiração e respeito pela coragem.

Assumir nossas verdades nos permite sentir-se pleno, mas não é nada fácil, definir um posicionamento diante da sociedade gera opressão, até para aqueles que demonstram segurança. A ousadia na maioria das vezes, serve para esconder  fraquezas nas quais todos temos. Por isso muitos optam em viver enclausurado apenas condenando o outro.

Não posso negar que estava com medo,  receosa em escrever sobre o assunto, do que pensariam ou a repressão diante de minha opinião.Ao conhecer a história da jovem estudante minha vontade ganhou novo vigor.  Dei - me conta do tão quanto egoísta estava sendo. 

Sem perceber estava sendo levada pelo discurso esquerdista conservador, que desqualifica aquilo que julgam fora do viés doutrinal dos bons valores, muitas vezes pregados em nome de Deus. Não abstenho-me de minha fé quando afirmo que; não acredito em um DEUS, que diz que o outro é menos digno por ser diferente.
Aryane Alves-Foto: Arquivo pessoal

Senti necessidade de saber um pouco mais sobre a realidade de Aryane, como foi chegar ao ponto de afirma-se e aceita-se, pois a luta dela representa a de muitas outras. Não tem como fugir do fato que entre as mulheres, assim como os homens, existe um grupo especifico que se relaciona com o mesmo gênero. 

Porém a realidade é opressora,  as conquistas de direitos nos últimos anos, e as mudanças sociais,não protegem os homossexuais de serem visto com desaprovação e ódio. Muitos são violentados fisicamente, verbalmente e em alguns casos cruelmente mortos, ações levadas por um discurso preconceituoso. 


Ninguém é obrigado a aceitar, é um direito. Porém posso afirmar que toda forma de amor é válida, se as pessoas amassem mais ao invés de condenar tanto, teríamos um mundo bem melhor. 

Viva a liberdade de ser, viva o amor em todas a formas e cores, mais amor menos preconceito, mais compreensão e menos exclusão.