30 novembro 2016

MULHER DE COR



Poema escrito por Maiza Silva em exaltação e expressão do orgulho em ser mulher negra. Embora o empoderamento negro tenha significado coletivo, a jovem maranhense não tem receios de viver sua individualidade, sem deixar de autoafirmar-se. 

Maiza Silva/ Foto: Hyago Kayann



Sou mulher, sou negra.
Carrego comigo a cor e o sabor.
Carrego no peito pulsante, 
A dança do batuque do tambor!
Carrego nos traços as linhas,
Que contam minha história.

Carrego no peito o orgulho,
De ser mulher de cor,
Sim... mulher de viva cor!
Pois eu nasci para as cores!
... E não para as dores,
Eu nasci para pintar!

Pintar o desamor, com flores.
Sou da cor da noite que fascina,
Sou mulher de intensos amores!
Da cor, da luta pela liberdade!
De ser filha dessa terra, guerreira!

Sou negra, mulher de cor.
Porque minha alma é colorida.
E não essa capa cinza e fria,
Dessa sociedade de hipocrisia. 

(Maiza Silva)


DE CELLY CAMPELLO A MARÍLIA MENDONÇA, A CULPA É DO CUPIDO!



Do crédulo ao mais cético, sempre vamos ver o cupido como uma analogia ao amor, representado como um menino alado que sai por ai disparando flechas nas pessoas, formando casais. Parece fantasioso mais nos poemas e nas musicas por possuir uma perspectiva subjetiva, de vez em outra ele é citado, mas nem sempre positivamente.


Marília Mendonça artista que ganhou destaque com o álbum intitulado Marília Mendonça ao vivo, lançado em março de 2016, com músicas de sua autoria, trás entre elas o single MEU CUPIDO É GARI onde faz referencia ao cupido na terceira pessoa, afirmando que os homens que aparecem em sua vida são lixo. Culpa de seu cupido que joga a sujeira na sua vida.

"O meu cupido é gari
Só me traz lixo
Lixo, lixo, você é prova disso
Lixo, lixo, você é prova disso."( Marília Mendonça- O meu cupido é gari, 2016)

Marília Mendonça- foto reprodução

Marília Dias Mendonça, nascida na cidade de Cristianópolis, Goias, conhecida como Marília Mendonça ,com apenas 21 anos já é considerada uma grande cantora e compositora brasileira, e forte representante do sertanejo feminino. Começou a compor aos 12 anos e não parou mais. Grandes artistas já cantaram suas letras, que possuem caráter intimista com respaldo a dor do amor, daí vem o titulo dado pelos fãs de Musa da Sofrência.  




Na música ela demite seu cupido pelo mal trabalho, ao mesmo tempo que se questiona se merece esse tipo de amor, alega que a culpa realmente é do cupido, que na verdade é um amador, com uma flecha sem ponta,sem rumo nem direção, acertou alguém que só lhe fez mal.



Na década de 50 Celly Campello já cantava tecendo criticas diretas ao seu cupido, com a música ESTÚPIDO CUPIDO, referindo-se a ele em segunda pessoa, afirmando não querer mais saber de amar, cansou de chorar por amor, ao contrário de Marília Mendonça, não afirma que o erro esta no amadorismo do cupido, mas de fato no amor “ A flecha do amor só trás angustia e a dor”. 


Celly Campelo - foto reprodução
Célia Benelli Campello, ficou conhecida como Celly Campello, nasceu em São Paulo no dia 18 de junho de 1942, vitima de um câncer faleceu em 2013 no dia 04 de março em campinas. Ganhou notoriedade no país em 1959, através desta música, que é uma versão brasileira de Stupid Cupid lançada na França no final de 1958.

A letra retrata a falta de discernimento do cúpido, sendo julgado estúpido por um alguém que já cansou de chorar por amor, pedindo  distância, um basta. Foi enganada e não quer mais saber de amar.

"Eu dei meu coração
A um belo rapaz
Que prometeu me amar
E me fazer feliz
Porém, ele
Me passou prá trás
Meu beijo recusou
E meu amor não quis" (Celly Campelo- Estúpido Cupido , 1959)


Acreditando ou não em cupido vale apena conhecer ambas as músicas, e avaliar se de fato elas tem razão, será que nossos cupidos falharam? devo admitir que o meu está em constante analise, e o seu?


26 novembro 2016

ALÉM DE UM CORPO, JACIRA SUPERAÇÃO

Ser uma mulher malhada, ou sarada ( como queiram chamar), rende elogios,  mais em contra partida gera muitas critica e preconceitos. Agora imagina uma vovó maromba de 57 anos, onde historicamente avós  são vistas como aquela que cuida dos netos, a típica Dona Benta do Sitio do Pica pau amarelo. Jacira é esta mulher, que foge a regra.Linda e decidida, ela nos mostra que não tem idade para se cuidar. 

Jacira Superação/ foto: Arquivo pessoal

Jacira de Boa Vista, Roraima, é uma mulher de 57 anos que foge aos padrões . Mais nem sempre foi assim . Antes de ser Jacira Superação e todo e qualquer estereótipo que podem usar para definir ou denegrir sua imagem, quero vos apresentar a Jacira Noronha de Araújo, nascida na roça, especificamente no interior de Góias . Mãe de 4 filhos, vó de 4 netos, pedagoga, empresária, um exemplo de luta, superação e determinação.
Jacira Superação/ foto: Arquivo pessoal
Há 13 anos atrás, Jacira sofreu um acidente no qual por uma lesão no joelho ficou limitada em algumas atividades como subir escadas, usar salto, pilotar moto (seu único meio de transporte na época) perdeu massa muscular, mancava, o que afetou sua autoestima. Em meio a tudo isso, seu casamento de 28 anos chegava ao fim.

 Debilitada, com 4 filhos para criar, sem ter com quem contar encontrou na atividade física  especificamente a musculação um meio para superar traumas tanto físicos como psicológicos, o corpo que exibe hoje é resultado desse processo. A principio o objetivo estava voltado a recuperação dos movimentos da perna, não por orientação médica, pois este afirmava que a medida a ser tomada deveria ser uma intervenção cirúrgica, que em sua recuperação envolveria seis meses em uma cadeira de rodas.

Jacira, não poderia permitir-se passar por todo aquele processo, tendo seus filhos que dependiam diretamente dela. A academia, foi o meio encontrado por ela para tentar recuperar os movimentos, que contrariando as expectativas médicas, trouxe resultados. 


O mundo fitness a cativou de tal modo, que abriu mão de alguns bens, investiu em algumas máquinas usadas feitas em fundo de quintal, e criou sua própria academia por nome Superação, a principio fora dos padrões, mas ela não desistiu, conseguiu financiamento junto aos bancos e investiu em equipamentos. Hoje a academia é administrada por ela e suas duas filhas.

Jacira e suas filhas, Katia e Karoline / foto: Arquivo pessoal


"Sempre tive apoio de Minhas filhas, Karolina Marreiro atleta profissional e também atleta katia Marreiro, enfim, uma família que se descobriu na profissão, pretendemos, continuar no mercado, melhorando cada vez mais nosso empreendimento, e levar a outras pessoas essa modalidade de esporte e vida saudável..."



Pode não ser a academia dos sonhos, mas é a sua; ela ainda deseja fazer mais, pois superação tornou-se seu sobrenome Sobre sua história ela afirma:

"Me sinto uma vitoriosa por tudo que passei e superei, recebo muitas criticas tanto de homens como de mulheres, porém não me abalo, estou bem comigo mesma e com o meu corpo. Tenho o apoio de minha família , minhas filhas até malham comigo hoje em dia."

Jacira Superação/ foto: Arquivo pessoal
Superou as dores, recuperou seus movimentos e a autoestima, depois não parou mais, redescobriu-se na musculação e fez dela sua aliada, o corpo que exibe hoje é de grande parte resultado de todos esses anos de atividade, aliada a uma boa alimentação, baixo carboidratos, boa proteína, zero sal, zero lactose, zero glúten. A toda esta restrição ela afirma que a ausência destas substâncias melhora o metabolismo, e há uma desaceleração no processo inflamatório.


Sua filha Katia Marreiro, na qual não esconde o orgulho que tem de sua mãe, nos mostra quem é Jacira na intimidade do lar, afirma que a mesma além de batalhadora, é alegre, sorridente e introvertida, não é de reclamar o tempo todo, todos que a conhecem pessoalmente sentem-se motivados. 

"Ela é professora, acorda muito cedo para fazer o que gosta, trabalho o dia inteiro e a noite fica até as 23:00 cuidando da academia, ela é do tipo que gosta de ser desafiada, mesmo com o cansaço físico não perde um dia de academia. Isso não é fissura ou loucura, é amor próprio, ela se ama e se cuida, muito vaidoso. Ela renunciou muita coisa para cuidar de nós, nada mas justa que possa ter um tempo para se cuidar. A vida dela hoje, é, trabalhar e se cuidar, isso é um direito dela, a idade vem para todos nós, quem se ama como ela, não se importa com comentários maldosos. Ela é minha inspiração, é o amor da minha vida. Eu ela e minha irmã somos muito amigas. " ( katia Marreiro)

Foto; Arquivo Pessoal
Jacira com seu trabalho, conseguiu dar uma boa formação a seus filhos, tem muito orgulho dos mesmos, os considera seu alicerce. Esse amor e orgulho é reciproco por parte deles. Por trás do olhar limitado de alguns que apenas veem a vovó maromba, está uma mulher guerreira, amorosa, empreendedora, um exemplo . 

Fiz questão de contar sua história e quanto mais mergulhei em seu universo mais admiração e respeito advindos de mim em relação a ela surgia. Não limitemo - nos  apenas a estereótipos temos que ver além. Jacira é muito além de um corpo, ela é superação.






24 novembro 2016

AMOR,COMPANHEIRISMO E TRANSIÇÃO, CACHOS DE JESSICA FERNANDA


Vamos conhecer um pouco da história de Jessica Fernanda, modelo fotográfica, que através do companheirismo e profissionalismo de seu noivo e também fotografo, conseguiu concluir sua transição capilar.

Jessica Fernanda/ fotos: Arquivos pessoais 


Jessica Fernanda Moraes  tem 19 anos, modelo , da cidade de Goiânia Goiás, ela nos conta um pouco como foi sua transição. Ressalvo que este processo não é uma obrigação, temos a liberdades de usar o cabelo que queremos e quando sentimo-nos a vontade mas este tem virado um assunto recorrente no blog, por conta da dificuldade  e a discriminação entorno do uso dos cabelos naturais, em especial os mais volumosos e afros.

Muitas mulheres mesmo com o anseio de mudança retraem-se por conta do preconceito. Jessica no seu quarto mês de transição pensou em desistir, a mudança de textura deixou - a desconfortável, como trabalha com a imagem, sentiu-se receosa.  As pessoas próximas a ela não aceitaram a ideia, afirmando que a mesma deveria alisa-lo pois não estava bonito.
Jessica Fernanda/ fotos: Arquivos pessoais 

Seu noivo e também fotografo( podemos julga-lo assim como captador do belo), a fez perceber que os cachos e volume que surgia só intensificava ainda mais sua beleza, dando ainda mais expressão as  fotos. Este com seu amor e profissionalismos, foi seu grande motivador ao longo de toda a transição, mostrando o belo que havia no seu natural; algo que ela não conhecia pois deste os 13 anos o alisava, por não haver representatividade em seu ciclo de relações, e por  afirmações  que  diziam que seu cabelo não era "bom". Sobre como sente-se hoje ela afirma:

"Voltar a ser cacheada foi a melhor decisão a ser tomada,eu não conhecia meus cachos cresci ouvindo das pessoas que meu cabelo era ruim,talvez por não ter tantos cuidados pra cacheadas como tem hoje em dia, se eu soubesse ver a beleza que eu vejo neles hoje, eu nunca teria alisado,era só uma adolescente e todas minhas amigas tinha cabelo liso,de certa forma me sentia diferente,então alisei"


Jessica, concluiu sua transição e julga-se realizada com os resultados, aqueles que a principio ficaram preocupados e criticaram sua decisão, hoje percebem o tão quão os cachos respaldam sua beleza. "Minha transição está concluída, amei ver esses cachos que eu antes não conhecia." Afirma a jovem.


Hoje Jessica continua a fotografar, na maioria das vezes com seu parceiro de vida, os cachos ganham destaque nas fotos, e o amor é presença marcante na vida dos dois.
Muitas mulheres e meninas preocupam-se quanto aos cuidados e trabalho em manter os cachos, quando perguntada sobre os cuidados que tem com o seu, ela responde: "Eu cuido do meus cachos com produtos simples e populares como a linha Seda, que todos conhecem, e faço algumas hidratações por indicações."


Jessica Fernanda/ fotos: Arquivos pessoais 

Jessica fala sobre a dificuldade de passar pela transição, se você está nesse processo, ou pensa em dar inicio, se por ventura não houver apoio, assim como ela encontrou em seu noivo, não tenha medo, siga em frente! O processo é lento e vai trazer oscilações na sua autoestima, criticas irão surgir. É fato! Mas não foque nos obstáculos foque nos resultados.

"Existi varias mulheres que sente essa vontade de começar  o processo de transição, porém muitas tem medo de encarar dois tipo de textura,e também muitas não tem apoio, pra começar, isso é fundamental, não é fácil passar por uma transição, principalmente quando não temos apoio de quem estar nosso lado." Conclui a jovem modelo.


A linda Jessica,  muito obrigada por compartilhar sua história conosco. E a você que sentiu-se motivada, lembre -se, toda mudança requer ousadia. Então ouse, busque! Se por ventura sentir-se sozinha, mesmo que o percurso torne - se ainda mais difícil, não desanime. Se faltar amor, ame -se! O importante, é sentir-se bem e linda, siga em frente, sempre.

19 novembro 2016

PÉROLAS NEGRAS


 Dia 20 de novembro, é  dedicado a consciência negra, a essas lindas que tem consciência de quem são que buscam seu espaço, sem medos, sem receios, o nosso orgulho. Estas são nossas Perolas Negras - preciosas e resistentes.


Foto: Hyago Kayann

É através das representações que forma-se os discursos sociais, a partir destes, estabelece-se o que é belo e o que julgam não ser agradável aos olhos, e vários outros estereótipos excludentes. Esta divisão inferiorizante e discriminatória, afeta significativamente a autoestima do ser humano.




As mulheres negras, por muito tempo foram afetadas por estes conceitos opressores, que ainda persistem nos tempos atuais.O que mudou foi a forma de lhe dar com os fatos. Através da ousadia de algumas mulheres , outras estão sendo motivadas a perceber-se enfrentar a grande avalanche preconceituosa existente, que antes as engoliam, e hoje não o faz com tamanha intensidade. 
Foto: Arquivo pessoal

Mulheres que sofreram, com a discriminação, hoje autoafirmam-se seja por meio das roupas dos cabelos, do falar... sem medo, sem receios. Essa ousadia, fez com que a representatividade ganhe espaço e cada vez mais  torne -se comum a presença dessas mulheres na mídia, e nos diferentes meios socias.
Foto: Arquivo pessoal

Estamos construindo uma nova geração, ainda há muito a ser feito, mais ressignificações no ser mulher e negra, estão ganhando força. A realidade ainda é opressora, mas neste dia da consciência negra, não quero enfatizar mazelas, mas respaldar as mulheres que tem consciência de quem são, os espaço que ocupam os novos espaços que estão ganhando, mulheres engenheiras, advogadas, medicas, e tantas outras profissões ocupadas por estas antes até proibidas de sonhar. 

Ascender, e afirma-se socialmente é algo muito difícil para a mulher, em especial a negra. Essa afirmação não é vitimação, A realidade está ai para nos mostrar. É dessas dificuldades que advém a força, quando mais desafios encontrados, mais força buscam para supera-los o que fazem dessas mulheres "gradiadoras", preciosas.
Foto: Arquivo pessoal


15 novembro 2016

VERSOS A TI . Por Aurismar Dias


Aurismar Dias - Foto: Hyago Kayan

Jovem maranhense de 29 anos, Aurismar Dias, mais uma vez se faz presente em nosso blog através de sua obra, trazendo uma de suas características principais, sua subjetividade em relação ao ser humano mulher, não de uma forma sexualizada, mas de maneira sublime. Tendo as mulheres que fazem parte de sua vida como fonte inspiradora, desta vez a homenageada é Maiza Silva, com um poema que canta a beleza e a amizade entre ambos.


Maiza Silva - Foto: Hyago Kaynn




Ponho-me a te transformar em poesia!
Em cada verso que escrevo,
Tenho-te como maior inspiração
E as palavras e sentimentos aqui contidos
Tornam-se livres.


No sentido de que esses sentimentos,
Carregam as mais diversas emoções
Atracadas nesse coração amigo

Cativo dessa nossa amizade.


Esse coração que aqui canta a eterna alegria
Dos laços que nos tornaram cúmplices.
Transforma-se todo em sensações.
De querer está perto, de cuidar, de proteger.


Ah coração que canta!
Tu bem sabes que esta canção também é minha.
Cantemos juntos ao ritmo da felicidade
Cantemos juntos os tons da amizade.

12 novembro 2016

PROJETO MAGALY FINA, PERDER PARA GANHAR


Somos um ser social por natureza, como nos veem afeta como sentimos - nos. Todavia isso não nos impede de ser quem somos, de aceitar-se, quanto mais seguras e autônomas melhor sabemos lhe dar com as pressões sofridas. E se for para mudar, que a mudança traga ganhos positivos. Vamos conhecer um pouco da história de Magaly Sousa que perdeu 40 quilos , e ganhou qualidade de vida.


Antes e depois de Magaly Sousa - Foto: Arquivo pessoal
Atitudes  de mudança devem partir de nós, não por imposições. Esse processo ocorre quando nossos conflitos intrapessoais ocasionados pelas interações pessoais começam a afetar-nos de forma mais expressiva. 

Foi o que aconteceu com Magaly Sousa, 38 anos, professora, de São Luís Maranhão, mãe de dois adolescentes, um de 17 anos e outro de 14, que viu seu corpo mudar drasticamente após o nascimento do seu segundo filho, ficando acima do peso e tendo que lhe dar com  a discriminação e constrangimento . Sobre o momento decisivo para sua iniciativa de entrar em um processo de emagrecimento, ela afirma:

"Estava cansada das pessoas me olharem e comentarem.  - Nossa bonitinha mais é gordinha...a gota d'agua foi no final do ano de 2013, queria ir para o réveillon com um look e não deu em mim devido eu ter engordado muito. Passei de 93 para 103kg em menos de um mês."
Magaly Sousa - Foto: Arquivo pessoal

Magaly  deu  incio ao projeto no dia 10 de fevereiro de 2014, pesando 103 quilos, com força de vontade e por conta própria, sem ajuda de nutricionista, e com execicio em casa, em menos de um ano perdeu mais de 20 quilos, em março de 2015 já havia perdido 25 quilos.

Em abril de 2015, através de uma amiga conheceu a noz da índia;  semente que ajuda na redução de peso pela eliminação dos acúmulos de gordura do corpo, no qual faz uso até hoje e recomenda . O  novo aliado resultou na perda de 12 quilos em apenas  24 dias, com  mais de um ano de uso perdeu ao todo 16 quilos, totalizando a perda total de 40 quilos.

O inicio, não foi nada fácil, tirou muita coisa da sua alimentação, e renunciou muitos momentos com os amigos e familiares, que não a apoiaram a principio, pois os mesmos já haviam presenciado várias outras tentativas frustadas de perda de peso, foi julgada louca e paranoica por alguns. O apoio veio de desconhecidos nas redes sociais,  e  pessoas de diferentes capitais do Brasil que estavam passando pelo mesmo processo, estes formaram um grupo no whatsApp , e assim trocavam experiências. 

Sobre a alimentação, muitas coisas foram cortadas e muitas renuncias foram feitas para não correr o risco de cair em tentação; "No inicio cortei   tudo, deixava de ir para festa, casamento aniversário... Justamente para não cair em tentação, por que todo começo é difícil". ( Magaly)

Sua dieta hoje não é tão radicalista, não usa arroz integral; isso desde o inicio do processo de emagrecimento por não ter conseguido adaptar-se - bebe muita água, alimenta-se de três em três horas, toma chás detox, tenta alimentar-se da forma mais saudável possível.

Magaly - Foto: Arquivo pessoal

Atualmente Magaly  que mede 1,70 está com 68 quilos,  e se diz satisfeita,  continua a fazer atividades físicas em casa.  Os finais de semana ela julga ser dela não se priva, sai com os filhos os amigos, come o que deseja, na segunda  volta para o que julga não ser uma dieta, mas uma reeducação alimentar.

 Magaly,  mesmo com as limitações financeiras, conseguiu o que almejava,  (não teve apoio de nutricionista, embora seja recomendável) Buscou orientação na internet e com pessoas que passaram ou estavam passando pelo mesmo processo. Conheceu pessoas novas, ganhou muitos seguidores que sensibilizaram-se com sua história, tornando-se digital influencer, ganhos julgados positivos ao longo de sua transição. O descontentamento foi a base da mudança, mas a força de vontade foi o que tornou - a possível. 

Ela sabe que estar mais magra, não a isenta de criticas, estas sempre existirão, agora seguem novas vertentes, por ela se expor, postar fotos de biquíni,  e homens que não respeitam, com cometários chulos, como "gostosa". Assim ela não mudou pelo o outro mais para si, do contrário teria que mudar o tempo todo.

Mas segura de si, o projeto se mantém, ela diz está amando ajudar outras mulheres, perdeu para ganhar, e agora com sua história ajuda a outras a conquistar a mesma façanha. Quem quiser acompanhar, ou conhecer mais sobre a linda Magaly, acesse suas redes sociais. 

facebook: Magaly Sousa
Instagran: @magalylora

06 novembro 2016

DAMA SEDUTORA (Cherry)

Poema escrito por Italo Ramon dedicado a Gislainy passos. 


Gislainy Passos- foto: Hyago Kayann


Musa da solidão,
soberana que rege a minha emoção.
Retrato perpassado sob meus olhos,
recordando o teu olhar marcante e sedutor.
Olhos verdes, mas que pareciam negros.
Cerejas designadas a fascinar,
homens utópicos iguais a mim,
de natureza frágil e coração fútil.
Cerejas semeadas em solo fértil!
Menciono ainda os teus olhos,
perpassados de convicção e emoção
a respeito dos desamores.
Um olhar triste,
impulsionado pela falta de cores.
Sofro, luto, canto e avanço,
em busca dos teus olhos de cereja.
Ó cerejeira negra e exótica,
dá-me do teu fruto o vigor sedutor,
da tua boca o sangue e a seiva narcótica.
Passai, ó dama dos meus sonhos,
continuai a enegrecer os meus dias.
Eu, pobre e desprezível criatura
necessito de tua glória.
Tu, cheia de esplendor e doçura,
torna-te hoje a mais bela rasura.



Italo Ramon de melo, Maranhense de 23 anos, com criatividade peculiar para produzir e uso rebuscado das palavras, consegue transmitir singular lirismo em suas produções. Sua obra é carregada de melancolia e intimismo, deixando clara sua característica como poeta elegíaco, ele mesmo se autointitula no poema: "homens utópicos iguais a mim,/ de natureza frágil e coração fútil."O mesmo merece fazer parte deste blog, pela nobreza na qual refere-se as mulheres, e a primazia que sua obra exprime. Ainda vamos ouvir falar muito de Italo Ramon, seu trabalho ainda está em fase inicial, e já coleciona grandes poemas.

04 novembro 2016

ORGULHO E PRECONCEITO, MÚSICA 100% FEMINISTA




Em outubro, dia 06, MC Carol, em parceria com Karol Conka, forte figura feminina no rap brasileiro, lançou a música 100% Feminista. 

Karol Conka e MC Carol no Lollapalooza: Vai ter negra empoderada no palco sim!
Karol Conka e Mc Carol- Foto: Reprodução/facebook

Admiro músicas com letras de cunho social,tendo em vista que vivemos em um período decadencialista da música brasileira. Porém ressalto que devemos ser cautelosos, ao defender um ideal  100%, assim nos limitamos. Quando voltamo-nos apenas para nossa realidade corremos o risco, de sair da condição de oprimidos para opressores. 

Particularmente não concordo plenamente com a ideologia empregada, mas, vale a pena conhecer a  música 100% feminista, letra que retrata a violência contra a mulher negra, mostrando a posição que as cantoras ocupam na sociedade,  como cresceram formando suas personalidades fortes, tornando-se feministas por necessidade. O single tem produção de Leo Justin e Tropkillaz,  trazendo  muito além do que  frases de efeito.



100% Feminista (part. Karol Conká)



MC Carol


[...]

Eu cresci
Prazer, Karol bandida
Represento as mulheres, 100% feminista
Eu cresci
Prazer, Karol bandida
Represento as mulheres, 100% feminista


Represento Nina, Elza, Dona Celestina
Represento Zeferina, Frida, Dona Brasilina
Tentam nos confundir, distorcem tudo o que eu sei
Século XXI e ainda querem nos limitar com novas leis
A falta de informação enfraquece a mente
Tô no mar crescente porque eu faço diferente
[...]




Mc Carol

Mc Carol lançou a música 'Não foi Cabral' (Foto: Divulgação/ Marcella Zamith - I hate Flash)
Mc Carol - Foto: Divulgação (Marcella Zamith)
Carolina de Oliveira Lourenço, 23 anos, negra da periferia de Niterói não se encaixa em padrões, suas letras falam sobre o cotidiano, ( em alguns caso de modo debochado), quando refere-se ao sexo fala do prazer próprio, não de como agradar o homem. Carol  autointitula - se Carol bandida, dona de si, que não se rebaixa,  julgar-se feminista antes mesmo de saber o que era o feminismo.


Daniel Caron
Karol Conka- Foto: Carol Caron

Karol ConKa



Caroline de Freitas Oliveira, 29 anos, feminista declarada, nascida em Curitiba, tornou -se simbolo do empoderamento da mulher negra. De personalidade marcante, posiciona-se politicamente através de suas músicas,  possui uma linguagem "mais rua", como ela assim define. Sua autenticidade se faz presente nas roupas no cabelo e no que faz e diz. 


02 novembro 2016

ARYANE ALVES, ROMPENDO PRECONCEITOS: "SOU LÉSBICA, E DAÍ?"

Aryane Alves 23 anos estudante universitária afirma sem receios: "Sou lésbica". Porém chegar a essa palpável segurança, envolveu um processo doloroso de aceitação.

Aryane Alves- Foto: Arquivo pessoal

Sua descoberta veio através de uma amiga de infância, ambas eram hétero, até que se viram diante de um sentimento que ultrapassava o sentimento de amizade. Acabaram se envolvendo sexualmente, mas resolveram romper para preservar a amizade. A amiga casou-se com um homem, e Aryane continuou  envolvendo-se com mulheres.   

A jovem assumiu-se aos 17 anos, rompeu um noivado,  e saiu de casa, da proteção da família e dos mimos em especial do pai. Seus familiares não  aceitavam sua orientação sexual. 

Embora demonstre segurança e ousadia em assumir suas verdades, Aryane sofreu com a falta da família; em especial do pai, com o olhar discriminatório, o menosprezo e a ridicularização por parte de algumas  pessoas.

Aryane Alves - Foto: Arquivo pessoal
Hoje sua relação familiar está melhor, as opressões de certo modo continuam. Para as pessoas que a condenam ela apenas afirma: " Sou lésbica e daí. Ser lésbica não me torna menos mulher, sou apenas uma mulher, que gosta de mulher."  

Eu acrescento mais, ser homossexual não torna alguém menos humano, se não aceita, respeite, são pessoas como qualquer uma outra, não são anomalias como muitos julgam ser, trabalham estudam travam lutas pessoais,  como qualquer um outro.

Se ultrapassam limites? Ultrapassam, não posso negar, muitos de fato não se preservam, mas entre os julgados héteros também existe. A questão que temos de fato é o tabu que envolve a sexualidade em si. Esses conceitos estão associados a uma ampla gama de  preconceitos  que oprimem  a liberdade já até falamos recentemente  aqui em : Padrões são conceitos opressores da liberdade de expressão .  

Aryane representa a garra da mulher que não tem medo de fugir aos padrões e conceitos julgados politicamente corretos.  Hoje mantém um relacionamento com outra mulher, e sente-se realizada com sua orientação sexual. A ela admiração e respeito pela coragem.

Assumir nossas verdades nos permite sentir-se pleno, mas não é nada fácil, definir um posicionamento diante da sociedade gera opressão, até para aqueles que demonstram segurança. A ousadia na maioria das vezes, serve para esconder  fraquezas nas quais todos temos. Por isso muitos optam em viver enclausurado apenas condenando o outro.

Não posso negar que estava com medo,  receosa em escrever sobre o assunto, do que pensariam ou a repressão diante de minha opinião.Ao conhecer a história da jovem estudante minha vontade ganhou novo vigor.  Dei - me conta do tão quanto egoísta estava sendo. 

Sem perceber estava sendo levada pelo discurso esquerdista conservador, que desqualifica aquilo que julgam fora do viés doutrinal dos bons valores, muitas vezes pregados em nome de Deus. Não abstenho-me de minha fé quando afirmo que; não acredito em um DEUS, que diz que o outro é menos digno por ser diferente.
Aryane Alves-Foto: Arquivo pessoal

Senti necessidade de saber um pouco mais sobre a realidade de Aryane, como foi chegar ao ponto de afirma-se e aceita-se, pois a luta dela representa a de muitas outras. Não tem como fugir do fato que entre as mulheres, assim como os homens, existe um grupo especifico que se relaciona com o mesmo gênero. 

Porém a realidade é opressora,  as conquistas de direitos nos últimos anos, e as mudanças sociais,não protegem os homossexuais de serem visto com desaprovação e ódio. Muitos são violentados fisicamente, verbalmente e em alguns casos cruelmente mortos, ações levadas por um discurso preconceituoso. 


Ninguém é obrigado a aceitar, é um direito. Porém posso afirmar que toda forma de amor é válida, se as pessoas amassem mais ao invés de condenar tanto, teríamos um mundo bem melhor. 

Viva a liberdade de ser, viva o amor em todas a formas e cores, mais amor menos preconceito, mais compreensão e menos exclusão.