04 outubro 2016

NÃO É APENAS CABELO, É ACEITAÇÃO!



A palavra do momento para as mulheres em geral é EMPODERAMENTO. Na individualidade chamamos de empoderar-se de si mesma, ter liberdade de  escolhas, fazer e usar o que lhe agrada ou lhe faz sentir-se bem.


Na atualidade um dos maiores símbolos do empoderamento feminino está no cabelo. Este vem ganhando cores, tamanhos e formas de acordo com identidade e vontade de cada mulher.

Mas o que de fato melhor representa este movimento são: cabelos ondulados, cacheado e crespos, o que nos últimos tempos tem tornado-se gradativamente comuns . 





Cada vez mais mulheres vem assumindo seu volume e suas formas de cabelo . Fato que assumiu grandes dimensões, tornando-se perceptíveis  a mídia e industria de cosméticos. Como  baseiam - se em oportunismo ambas tem investido em produtos e propagandas que valorizam o cabelo e ajudam na ativação e manutenção dos cachos, e afros. 

A sociedade começa a ver o estilo, como em alta, moderno e despojado.


Não podemos negar que de certo modo essa visão tem seu lado positivo, pois ajuda a quem possui esse tipo de cabelo, e motiva e dar segurança a outras que desejam fazer a transição. Mas vale lembrar que não é só cabelo é ACEITAÇÃO.

Podem até chamar de moda, mas na realidade, estamos tendo cada vez mais mulheres seguras e decididas, capazes de autoafirmar-se, independente de preconceitos enraizados.

Por todos os entraves que envolvem o direito de ser e a liberdade que representa usar um cabelo natural, dediquemos o devido  orgulho e reconhecimento as mulheres que sempre mantiveram seus cachos e hoje sentem-se mas a vontade em deixa-los soltos, e a outras que passaram pelo longo e ardo processo de transição.

A transição do cabelo alisado para o natural é um processo lento que mexe com a autoestima da mulher, muitas desistem antes de concluir o processo. Para saber mais conversei com quem conhece cada estágio e passou pela experiência - Mel de Oliveira de 34 anos . Que essa linda e decidida mulher, com suas palavras e  beleza, sirva de motivação a tantas outras que sentem-se inseguras a passar por um processo de mudança.
Mel de Oliveira - Foto: Arquivo pessoal


Porque você decidiu fazer a transição o que lhe motivou?

Voltar a usar o cabelo natural era um desejo que trazia comigo a muitos anos, dava muito trabalho mantê-lo liso e o gasto era grande, mas eu ainda me importava muito com a opinião das outras pessoas. Quando falava no assunto, algumas diziam que não daria certo, que só ficaria legal em famosa... 


Quais dificuldades você encontrou durante a transição, e qual julga ser a maior delas?



A aceitação das pessoas, a crítica, o bullying... Porém estava preparada, ansiosa para ter meus cachos de volta e cuidar deles como nunca tinha cuidado antes. A maior delas é o bullying que eu sofro diariamente, seja através de uma brincadeira ou algo mesmo falado na cara, como: "Nossa! Tu ficava melhor com o cabelo liso". Acredite já ouvi muito isso.


Dar muito trabalho cuidar dos cabelos?



Não! As pessoas me diziam, que esse cabelo ia me dar um trabalhão, então eu me preparei pra ter trabalho com ele, comprei uma montanha de produtos, pesquisei mais e mais produtos e me surpreendi com meu cabelo, cuido dele em casa mesmo, lavo e uso creme de pentear diariamente, hidrato e faço umectação uma vez por semana. Sem muito trabalho, sem sofrimento. Fico feliz demais com tudo isso.


Você já sentiu um olhar diferente ou preconceituoso das outras pessoas?



Sinto isso todos os dias. Eu ando muito pela cidade, algumas pessoas olham com reprovação, já ouvi algumas dizer que daqui uns dias essa "moda" passa. Pode uma coisa dessa? Tratar minha genética como moda? Mas acontece muito, algumas pensam que fiz a transição por que alguma atriz fez e eu resolvi aderir. Mas não foi nada disso, era um desejo de muitos anos, eu apenas não me sentia preparada pra lidar com a situação, eu ainda me importava com a opinião das pessoas... Hoje não mais, o que importa hoje é o meu bem estar, a minha relação intrapessoal. Comecei a me empoderar e não parei mais.


O que você diria as outras mulheres que querem fazer a transição? 



A transição é antes de qualquer coisa, um ato de amor. Amor próprio, amor às nossas raízes, à nossa herança genética. É sentir se igual às outras pessoas independente do tipo de cabelo você tem. É se fazer enxergar além das máscaras sociais e das regras de beleza que nos impõem. Então, eu digo às mulheres que estão na luta pela conquista dos seus cachos, que se empoderem, que se olhem no espelho e se vejam como uma mulher linda que são, com os cabelos mais lindos do mundo, pois foi assim que eu me senti, linda com tudo que eu tenho, com o cabelo que Deus me deu. E estou a cada dia mais convencida disso. Outro conselho é não se importar com a opinião alheia, porque o preconceito vai aparecer de forma nunca vista antes, algumas poderão assim como eu sofrer bullying todos os dias, já disseram até que o meu parece uma copa de árvore, já me chamaram de Zé Pequeno, de globeleza, casinha de cupim entre outros. O que eu faço com isso? Eu ignoro, estou feliz demais com meu cabelo pra dar ouvidos à comentários tão pequenos.


Fotos: Acervo pessoal

Um agradecimento especial as lindas que gentilmente cederam suas fotos.