30 outubro 2016

PADRÕES SÃO CONCEITOS OPRESSORES DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Padrões  só geram preconceitos  excludentes e opressores, que nos afetam físico e psicologicamente, definições rasas, apenas limitam nossa liberdade.

Foto: Hyago Kayann




Não me prendo a nada que me defina. sou companhia, mas posso ser solidão. tranqüilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer… Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca.

(Clarice Lispector)

Nada que nos define, nos representa de fato.


Perdemo-nos no labirinto dos padrões e preceitos que regem nossas vidas. Lembrados a todo instante de como devemos ser e agir,  acabamos por esquecer-se de quem somos, o que nos define, e o que de fato nos faz bem. 

Somos condenados por demonstrar amor demais, amor de menos, rir de mais,  rir de menos, pelo o que fazemos ou deixamos de fazer, usamos ou deixamos de usar... Vivemos em um mundo onde tudo é dosado, onde todos vivem em função de equilibrar a vida do outro para que não derrame ou falte algo. Esse é o problema, ninguém vive sua própria vida de fato.

Vivemos a base de opiniões, que embora afirmemos que não nos afetam, (por uma necessidade de defesa), de fato afetam e muito.  Saber lhe dar e filtrar certos comentários e atitudes  não é tarefa fácil porém de algum modo temos que nos impor,  e fazer valer o que somos e o que queremos.

Orgulhe-se de ser quem é,  independente das objeções, preconceitos e imposições, seja alta  baixa, gorda, magra ... O importante é aceitar-se

Minha roupa, meu cabelo, meu corpo, minha forma de pensar e agir... Tudo isso é uma  expressão. E se a liberdade de expressão é garantida por lei, por que somos tão censuradas?
Natália Serra-  Foto: Arquivo pessoal

Natália Serra aos 31 anos sente-se em uma das fases mais seguras de si, diz que mesmo incomodando-se as vezes com alguns comentários, sabe lhe dar com isso. Atualmente Natália assumiu um estilo mais despojado começando pelo cabelo, o que lhe deixou ainda mais bonita. Recebeu  elogios, porém por estar inserida em um meio extremamente conservador a mudança rendeu muitas criticas.  Sobre o cabelo ela afirma:

Foi uma mudança bem drástica, o meu corte de cabelo definiu muito minha personalidade ultimamente. Nós sabemos que estamos em um mundo de pessoas uniformizadas pelos padrões midiáticos , pela simplicidade, autenticidade e principalmente a naturalidade, coisas cada vez mais valorizadas. A intenção do meu corte é mostrar meu verdadeiro eu, minha identidade, é como se eu estivesse desprendida desses padrões clichês da sociedade.  Hoje, não existe uma marca mais distinta em mim que o meu cabelo.                       

Muitas pessoas as vezes falam: "Nossa, porque cortou ?". E eu digo :" Foi uma escolha, como se eu fosse escolher uma roupa pra vestir, isso não quer dizer que vou mudar minha essência por causa de um corte.

Assim como Natália que possamos sentir-se seguras de ser quem somos independente da opinião do outro. Não prenda-se a definições que são apenas alusões do que você é, não se renuncie, não seja cruel com você, seja o que quiser como quiser e quando quiser. Vista-se de você!


26 outubro 2016

PRINCESA DA POESIA ROMÂNTICA - LUÍSA AMÉLIA DE QUEIROZ BRANDÃO



Lendo sobre a história das mulheres nordestinas, deparei-me com uma poeta piauiense do século XIX, no qual senti a necessidade de falar um pouco, pela ousadia e representatividade - Luísa Amélia de Queiroz Brandão





Luísa Amélia de Queiroz Brandão , nasceu em 26 de dezembro 1838 ao norte da província em Piracuruca-Piaui faleceu no dia 12 de novembro de 1898 aos 59 anos em Parnaíba - Piaui. Teve acesso a uma instrução básica e aperfeiçoou seus conhecimentos por esforço próprio. É a pioneira na escrita poética do Piauí, considerada a PRINCESA DA POESIA ROMÂNTICA do Estado. 


Os obstáculos enfrentados , como acesso à leitura e à educação, resultou em grandes questionamentos, nos quais favoreceram sua busca por respostas através da produção literária de autoria feminina contrariando um período e região extremamente conservadora onde a maioria da população era analfabeta.

Mesmo com toda sua ousadia, mostrava-se receosa em alguns momentos diante das opressões de sua época, como mostra o poema intitulado: "Não sou poeta", onde abnega o titulo de poeta por ser um lugar social exclusivamente masculino. 

Não sou poeta

(fragmento)

Não sou poeta! que ambição tão louca
Nunca me veio perpassar a mente,
Só o que quero, o que exalar procuro,
São os affectosquamin’alma sente.

[...]

Não sou poeta, muito embora eu sinta,
Por altas noites myst’rioso encanto
Arrebentar-me a regiões ignotas,
Depois baixando murmurar um canto.


Em 1875, escreve seu primeiro livro de poesia intitulado: FLORES INCULTAS. O título da obra reflete a revolta da autora frente às imposições sociais no sertão nordestino do século XIX. Flores pela delicadeza imposta as mulheres, que deveria se fazer presente em cada gesto e palavra, incultas por terem acesso limitado a instrução , comparada a dos homens, isso quando tinham; pois estas eram restritas ao espaço privado. A elas não se destinava a esfera publica do mundo econômico, politico, social e cultural. Nas estrofes do poema abaixe percebe-se a subjetividade presente em sua obra.


O Homem Não Ama
(fragmento)

Jamais o seu peito mais duro que o aço,
Palpita a não ser a louca ambição. 
Supõe-se - orgulhoso - que é soberano,
Que todas as belas vassalas lhe são!
Mais falso que a brisa que as flores bafeja,
Se mil forem belas... a mil finge amar...
Assim um já disse, e assim fazem todos, 
Embora não queiram jamais confessar,
Cruéis, como Nero, são todos os homens!
Ateiam as chamas de ardente paixão,
Depois... observam, sorrindo, os estragos...
E dizem, cobardes! que têm coração!!


[De Flores Incultas, 1875]


Também fala de Deus como mostra os versos de encantador lirismos e profundo sentimento religioso:

(fragmento)

A Deus
Ser dos seres, oh, tu que podes tanto,
Que fizestes a terra e o firmamento
Com diversas belezas. Num momento
Aniquila – lás podes. Santo, Santo.

Tu que aos lábios dás risos, aos olhos pranto,
Que lês no coração, no pensamento,
Que as fúrias conténs, ao mar, ao vento,
E às flores dás vida, e ao sol encanto. 

Não consistas, meu Deus, que fero instinto
À virtude polua o véu tão casto,
E que seja o teu dom assim extinto. 

Ah, Senhor, tu és Pai, nunca padrasto
Bem sabes que sucumbo e que não minto.
Ah! Conforte tua Luz meu ser já gasto.

Luíza Amélia usou a poesia como meio de manifestar seu posicionamento crítico em relação à condição feminina da época.


A mulher

(fragmento)

A mulher que toma a pena
Para em lira a transformar,
É para os falsos sectários,
Um crime que os faz pasmar!
Transgride as leis da virtude;
A mulher deve ser rude,
Ignara por condição!
Não deve aspirar a glória!...
Nem um dia na história
Fulgurar com detinção!


 Apenas duas obras sua foram publicada quando viva -FLORES INCULTAS e GEORGINA. Porém é incontestável    o seu devido reconhecimento, pela ousadia de publicar  em uma época onde a mulher não tem reconhecimento social, expressando sua busca por liberdade. Realmente um orgulho de mulher!

Referências:



Telles, L. F. (2000). Mulheres, mulheres. Em del Priore, M. (Org.). Historia das mulheres no Brasil 9. ed. São Paulo: Contexto, 2007

MENDES, Algemira de Macêdo; ROCHA, Olívia Candeia Lima; ALBUQUERQUE, Marleide Lins de (Org.). Antologia de escritoras piauienses (Século XIX à Contemporaneidade) Teresina: Fundação Cultural do Piauí – FUNDAC / Fundação de Apoio Cultural do Piauí – FUNDAPI, 2009. 328p.

22 outubro 2016

MULHER MARAVILHA NOMEADA EMBAIXADORA DA ONU. COMO ASSIM?

Representatividade pautada em ficção, marketing descarada, um desrespeito  a mulheres reais, que vivem lutas reais.  
ctv-yox-efe-justin-lane
Foto: EFE/Justin Line - Fonte: http://internacional.estadao.com.br/ - Menina vestida de mulher maravilha compareceu à cerimônia


Hoje pela manhã, fui surpreendida  por uma  noticia na qual demorei para processar. A noticia dizia que na sexta feira 21 de outubro, a  Mulher Maravilha foi nomeada como nova embaixadora honorífica para o empoderamento da mulheres e das meninas pela ONU. Oi?

Fiquei perplexa, sigo firme na tentativa de compreender os motivos que os levaram a essa decisão, com tantos exemplos de mulheres, que se doam pelo bem do outro, mulheres missionárias, mulheres de lutas populares, estudiosas...  E tantas outras que de certo modo assumem diferentes funções, trabalhando fora; sendo mãe; esposa; dona de casa ...

Não que os façam por busca de méritos. Mas dedicar honrarias a uma personagem, por marketing, desqualifica uma nação inteira de mulheres reais.  A minha reação no mesmo instante foi ( com o perdão da palavra): " QUE M**** É ESSA! 

Desculpem - me pela falta de compostura. Nada contra a personagem na qual fez parte da minha infância.

É inegável a representatividade de  uma heroína em meio a tantos personagens masculinos. Contudo chegar ao nível de representante mundial  da socialização do poder feminino, é um absurdo! Não temos super poderes, este é um ideal de mulher que não existe.

Em junho de 2017 sai uma nova versão do filme Wonder Woman. Bons entendedores entenderão. ONU fazendo publicidade.

Vale lembrar que esta é apenas uma opinião, considero um desrespeito. Senti a necessidade de expressar minha indignação no momento. Posso até mudar meu conceito em um futuro onde explicações plausíveis, me conversam do contrário.

16 outubro 2016

NÃO É SUPREMACIA, É ORGULHO EM SER QUEM SOMOS.

Falar sobre opressão feminina e o ser mulher, não  é vitimação, é orgulho de ser quem somos. 

Foto: Hyago Kayann

 Independente de gênero , raça, opção sexual, classe social... Todos sem exceção, somos oprimidos, seja pelo poder publico ou por mazelas que envolvem as relações interpessoais com preceitos, dogmas e padrões que embora muitas vezes não concordamos , acabamos acatando para que não sejamos   tratados de forma excludente. Na maioria do tempo não somos nós mesmo, somos aquilo que esperam ou determinam que sejamos.
Protesto a favor do movimento LGBT,
em frente ao congresso./foto: Reprodução



Homossexual


Um homossexual, não pode viver sua homossexualidade, e quando assume-se deve-se fazer de forma discreta, pois um relacionamento homoafetivo é considerado uma ofensa a sociedade uma anomalia, causando repulsa em muitas pessoas ou até mesmo no homem ou mulher que tenha tendências homossexuais, o que causa a  negação de si, por medo da interiorização extrema, que vem através de palavras ou até mesmo de violência advinda do ódio gratuito de uns poucos que julgam uma ofensivo  duas pessoas do mesmo sexo terem relações sexuais, mais agredir psicologicamente e fisicamente um outro que nada tem feito diretamente a ele, não ser ofensa. O ódio as diferenças, oprime a liberdade do outro.

Oferendas no culto a Iemanjá / Foto: Reprodução




Religiões afro brasileiras


Um afro brasileiro não pode viver sua religião, por preconceito inserido em um contexto de racismo. Assim temos um duplo estigma a ser enfrentado; a intolerância religiosa e o preconceito racial. Religiões como candomblé e a umbanda, ( cito-as por serem as quais conheço, embora saiba que existem varias outras que  também sofrem constantes ataque),  Estas existem as escuras, pois suas existências é vista como uma ofensa ao o "Deus dos brancos".  

Foto: Hyago Kayann

Homem


O homem tem a obrigação de ser "macho", qual quer pensamento ou atitude que distancie - se dessa expectativa pode-se levar ao questionamento de sua sexualidade, o que afeta suas relações sociais.

Esse esteriótipo faz com que muitas vezes eles reprimam atitudes de afeto, apreço a arte e tantas outras que julgam pertencer ao universo restritamente feminino  . O que muitos chamam e condenam de machismo é apenas resultado de uma pressão social. 

Por que mulher orgulho? 


Esses são apenas uns de vários outros exemplos de opressões existentes, nos quais não sou indiferente compartilho e sensibilizo-me . Poderia falar sobre elas? sim poderia. poderia falar sobre a vida do homem os desafios o orgulho masculino...

Sim, poderia, mas não seria fidedigno a realidade por não ser o meio no qual estou inserida, seria apenas uma alusão daquilo que observo leio ou imagino ser. 

Defender o orgulho feminino, falar sobre a opressão da cultural patriarcal, desigualdade de direitos entre homens e mulheres, a liberdade de ser mulher... Não significa necessariamente uma relação de oprimido e opressor,  ou propagar superioridade de algum modo.

Falo sobre mulher, pois sou uma mulher! Falo do universo a qual pertenço, a intenção é fazer  que outras mulheres sinta-se motivadas a perceber-se, valoriza-se, sentir-se bem e bonita, fujam do papel de fracas submissas e passivas,  implantados ao logo da história, fujam de padrões que nos recriminam, e ferem significativamente nossa autoestima. 

Que a todo momento possamos ser capazes de perceber que o belo vai muito além de como nos veem, mas como nos sentimos. Que podemos ser o que almejamos, ousar e seguir em frente, seguras para viver nossa feminilidade, sendo agentes de nossa própria história, tendo como exemplo várias outras mulheres que ousaram e buscaram. Ser realmente uma mulher com orgulho. 










14 outubro 2016

MULHER BRASILEIRA

Foto: Hyago Kayann

Por Aurismar Dias


Do seio da terra brasileira
Brotam todas elas...
Algumas de lábios negros, rubros. 
Outras brancas, 
mani da aldeia moderna. 


Brotam os belos cachos
Da negra que me encanta
O bailar da bela dama, 
Com seu vestido de chita 
Quando a voz do tambor chama. 


Do seio da terra brasileira 
Brotam todas elas...
Algumas que dão forma ao pão 
Outras que formam os homens 
Negras, brancas e amarelas. 


Brotam das belas mulheres, 
Das belas marias, alegrias. 
De suas vidas sofridas 
de suas mãos calejadas 
O grito da igualdade. tão esperada!


Brotam da Pátria Mãe! 
A fibra da mulher guerreira, 
O grito da igualdade, 
das filhas que aqui lutam 
Do seio da terra brasileira.





Aurismar Dias é um jovem estudante de letras amante da boa poesia. As mulheres que fazem parte de sua vida são grande parte de suas inspirações,  seus poemas cantam o amor e a beleza de forma intimista,.O mesmo considera-se um eterno apaixonado. O autor não possui poemas publicados, no entanto possui vários outros poemas, que pela beleza e particularidade merece ser conhecido. 




04 outubro 2016

NÃO É APENAS CABELO, É ACEITAÇÃO!



A palavra do momento para as mulheres em geral é EMPODERAMENTO. Na individualidade chamamos de empoderar-se de si mesma, ter liberdade de  escolhas, fazer e usar o que lhe agrada ou lhe faz sentir-se bem.


Na atualidade um dos maiores símbolos do empoderamento feminino está no cabelo. Este vem ganhando cores, tamanhos e formas de acordo com identidade e vontade de cada mulher.

Mas o que de fato melhor representa este movimento são: cabelos ondulados, cacheado e crespos, o que nos últimos tempos tem tornado-se gradativamente comuns . 





Cada vez mais mulheres vem assumindo seu volume e suas formas de cabelo . Fato que assumiu grandes dimensões, tornando-se perceptíveis  a mídia e industria de cosméticos. Como  baseiam - se em oportunismo ambas tem investido em produtos e propagandas que valorizam o cabelo e ajudam na ativação e manutenção dos cachos, e afros. 

A sociedade começa a ver o estilo, como em alta, moderno e despojado.


Não podemos negar que de certo modo essa visão tem seu lado positivo, pois ajuda a quem possui esse tipo de cabelo, e motiva e dar segurança a outras que desejam fazer a transição. Mas vale lembrar que não é só cabelo é ACEITAÇÃO.

Podem até chamar de moda, mas na realidade, estamos tendo cada vez mais mulheres seguras e decididas, capazes de autoafirmar-se, independente de preconceitos enraizados.

Por todos os entraves que envolvem o direito de ser e a liberdade que representa usar um cabelo natural, dediquemos o devido  orgulho e reconhecimento as mulheres que sempre mantiveram seus cachos e hoje sentem-se mas a vontade em deixa-los soltos, e a outras que passaram pelo longo e ardo processo de transição.

A transição do cabelo alisado para o natural é um processo lento que mexe com a autoestima da mulher, muitas desistem antes de concluir o processo. Para saber mais conversei com quem conhece cada estágio e passou pela experiência - Mel de Oliveira de 34 anos . Que essa linda e decidida mulher, com suas palavras e  beleza, sirva de motivação a tantas outras que sentem-se inseguras a passar por um processo de mudança.
Mel de Oliveira - Foto: Arquivo pessoal


Porque você decidiu fazer a transição o que lhe motivou?

Voltar a usar o cabelo natural era um desejo que trazia comigo a muitos anos, dava muito trabalho mantê-lo liso e o gasto era grande, mas eu ainda me importava muito com a opinião das outras pessoas. Quando falava no assunto, algumas diziam que não daria certo, que só ficaria legal em famosa... 


Quais dificuldades você encontrou durante a transição, e qual julga ser a maior delas?



A aceitação das pessoas, a crítica, o bullying... Porém estava preparada, ansiosa para ter meus cachos de volta e cuidar deles como nunca tinha cuidado antes. A maior delas é o bullying que eu sofro diariamente, seja através de uma brincadeira ou algo mesmo falado na cara, como: "Nossa! Tu ficava melhor com o cabelo liso". Acredite já ouvi muito isso.


Dar muito trabalho cuidar dos cabelos?



Não! As pessoas me diziam, que esse cabelo ia me dar um trabalhão, então eu me preparei pra ter trabalho com ele, comprei uma montanha de produtos, pesquisei mais e mais produtos e me surpreendi com meu cabelo, cuido dele em casa mesmo, lavo e uso creme de pentear diariamente, hidrato e faço umectação uma vez por semana. Sem muito trabalho, sem sofrimento. Fico feliz demais com tudo isso.


Você já sentiu um olhar diferente ou preconceituoso das outras pessoas?



Sinto isso todos os dias. Eu ando muito pela cidade, algumas pessoas olham com reprovação, já ouvi algumas dizer que daqui uns dias essa "moda" passa. Pode uma coisa dessa? Tratar minha genética como moda? Mas acontece muito, algumas pensam que fiz a transição por que alguma atriz fez e eu resolvi aderir. Mas não foi nada disso, era um desejo de muitos anos, eu apenas não me sentia preparada pra lidar com a situação, eu ainda me importava com a opinião das pessoas... Hoje não mais, o que importa hoje é o meu bem estar, a minha relação intrapessoal. Comecei a me empoderar e não parei mais.


O que você diria as outras mulheres que querem fazer a transição? 



A transição é antes de qualquer coisa, um ato de amor. Amor próprio, amor às nossas raízes, à nossa herança genética. É sentir se igual às outras pessoas independente do tipo de cabelo você tem. É se fazer enxergar além das máscaras sociais e das regras de beleza que nos impõem. Então, eu digo às mulheres que estão na luta pela conquista dos seus cachos, que se empoderem, que se olhem no espelho e se vejam como uma mulher linda que são, com os cabelos mais lindos do mundo, pois foi assim que eu me senti, linda com tudo que eu tenho, com o cabelo que Deus me deu. E estou a cada dia mais convencida disso. Outro conselho é não se importar com a opinião alheia, porque o preconceito vai aparecer de forma nunca vista antes, algumas poderão assim como eu sofrer bullying todos os dias, já disseram até que o meu parece uma copa de árvore, já me chamaram de Zé Pequeno, de globeleza, casinha de cupim entre outros. O que eu faço com isso? Eu ignoro, estou feliz demais com meu cabelo pra dar ouvidos à comentários tão pequenos.


Fotos: Acervo pessoal

Um agradecimento especial as lindas que gentilmente cederam suas fotos.