30 setembro 2016

SIMPLICIDADE E RIQUEZA LITERÁRIA , CORA CORALINA.



Nossa literatura conta com grandes nomes femininos com um legado literário imenso, embora seja pouco estudado e pouco difundido.  Muitas dessas autoras usavam seu próprio nome ou faziam uso de pseudônimos é o caso de Cora Coralina pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas .

Cora Coralina - foto: Acervo ©Museu Casa de Cora Coralina
(Global Editora)

Cora Coralina nasceu na Cidade de Goiás em 20 de agosto de 1889. Em 1905, quando estava com dezesseis anos de idade, enviou uma crônica de sua autoria para o jornal “Tribuna Espírita”, da cidade do Rio de Janeiro. Em 1908, aos dezenove anos, criou, com a ajuda de duas amigas, o jornal de poemas femininos “A Rosa”. Seu primeiro conto, “Tragédia na Roça”, foi publicado em 1910 no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”. Cora começou cedo, porém o reconhecimento chegou tardiamente  já era uma senhora de setenta anos. Nascida na cidade de Goias no estado de Goias,  fugiu para  São Paulo com um homem casado( Cantídio Tolentino de Figueredo Bretas) onde passou a maior parte de sua vida , lugar onde nasceu seus seis filhos. Regressou para a cidade de Goiás já idosa e viúva, retornando para a Velha Casa da Ponte sobre o Rio Vermelho, residência ancestral de sua família.

Cora Coralina faleceu em Goiânia em 10 de abril de 1985. Uma poeta de escrita simples, fato que só engradece suas obras. Seus poemas prezam a mensagem as formas são detalhes, com sutileza fala da vida seu papel social e o ambiente que à rodeava. Quem aprecia a boa literatura vale apena conhecer.

Mulher da Vida




Poesia dedicada, por Coralina, ao Ano Internacional
da Mulher em 1975.

Cora Coralina


Mulher da Vida, minha Irmã.

De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades e
carrega a carga pesada dos mais
torpes sinônimos,
apelidos e apodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à-toa.

Mulher da Vida, minha irmã.

Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.
Desprotegidas e exploradas.
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.
Necessárias fisiologicamente.
Indestrutíveis.
Sobreviventes.
Possuídas e infamadas sempre por
aqueles que um dia as lançaram na vida.
Marcadas. Contaminadas,
Escorchadas. Discriminadas.

Nenhum direito lhes assiste.
Nenhum estatuto ou norma as protege.
Sobrevivem como erva cativa dos caminhos,
pisadas, maltratadas e renascidas.

Flor sombria, sementeira espinhal
gerada nos viveiros da miséria, da
pobreza e do abandono,
enraizada em todos os quadrantes da Terra.

Um dia, numa cidade longínqua, essa
mulher corria perseguida pelos homens que
a tinham maculado. Aflita, ouvindo o
tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras,
ela encontrou-se com a Justiça.

A Justiça estendeu sua destra poderosa e
lançou o repto milenar:
“Aquele que estiver sem pecado
atire a primeira pedra”.

As pedras caíram
e os cobradores deram as costas.

O Justo falou então a palavra de eqüidade:
“Ninguém te condenou, mulher...
nem eu te condeno”.

A Justiça pesou a falta pelo peso
do sacrifício e este excedeu àquela.
Vilipendiada, esmagada.
Possuída e enxovalhada,
ela é a muralha que há milênios detém
as urgências brutais do homem para que
na sociedade possam coexistir a inocência,
a castidade e a virtude.

Na fragilidade de sua carne maculada
esbarra a exigência impiedosa do macho.

Sem cobertura de leis
e sem proteção legal,
ela atravessa a vida ultrajada
e imprescindível, pisoteada, explorada,
nem a sociedade a dispensa
nem lhe reconhece direitos
nem lhe dá proteção.
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,
que um homem a tome pela mão,
a levante, e diga: minha companheira.

Mulher da Vida, minha irmã.

No fim dos tempos.
No dia da Grande Justiça
do Grande Juiz.
Serás remida e lavada
de toda condenação.

E o juiz da Grande Justiça
a vestirá de branco em
novo batismo de purificação.
Limpará as máculas de sua vida
humilhada e sacrificada
para que a Família Humana
possa subsistir sempre,
estrutura sólida e indestrurível
da sociedade,
de todos os povos,
de todos os tempos.

Mulher da Vida, minha irmã.
REFERÊNCIAS:

PEREZ, Luana Castro Alves. "Cora Coralina"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/literatura/cora-coralina.htm>. Acesso em 30 de setembro de 2016.

Poemas dos becos de Goiás, Global, 1983 - S.Paulo, Brasil

25 setembro 2016

NEGRA (mulher)

Para Auridiane carvalho

Auridiane Carvalho - Foto: Hyago Kayann

Por Italo Ramon


Sentado sobre o chão gelado
eu recordava de teu olhar marcante
e do teu amor frágil e delicado
cultivado em grandioso coração:
O teu coração valente!
Mulher que luta
pela liberdade de ser quem é:
Mulher negra, brasileira, 
mulher guerreira...
Olhos grandes e negros que penetram 
e depositam em nós a sinceridade digna
e necessária para uma amizade
sólida e verdadeira.
Teu coração forte nutre a lida cotidiana,
teu amor frágil fortalece a luta diária.
A tua luta diária pela emancipação,
a nossa luta diária que repara teu coração.
Mulher que trabalha e cuida,
que dança e canta,
que estuda e sorri,
mulher que chora e encanta.
Mulher que sofre e enfrenta que não desiste e vence
as barreiras e sentenças.
Carrega no sorriso a bandeira da luta
e o orgulho estampado da batalha
enfrentada simplesmente por ser mulher.
Por ser negra, bela, formosa e decidida!
Exemplo para aquelas que buscam amores
e que combatem os pudores e as dores
da violência exercida pela vida.
Mulher com orgulho...

foto: Hyago Kayann

Italo Ramon de melo é letrologo, com uma criatividade peculiar para produzir. Com uso rebuscado das palavras, consegue transmitir singular lirismo em suas produções, vale apena conhecer seu trabalho que está em seus primeiros passos. Orgulho-me em ser mulher e orgulho-me em ter amigos tão talentosos como este. O poema é dedicado a mim, porém representa todas as mulheres que prezam a liberdade de ser quem é. Muito obrigada Italo! 

22 setembro 2016

CÂNCER DE MAMA. CUIDE-SE, PREVINA!



As mamas possuem grande significância para uma mulher, por está relacionada a sua sexualidade, e de certo modo a torna feminina, qualquer doença real ou suspeita pode incluir medo insegurança e em alguns casos depressão. Alguns dos principais receios incluem perda da atratividade sexual, abandono pelo parceiro, desfiguração e morte. Devido a esses temores adjacentes muitas acabam inibidas à procurar por um profissional de saúde. Em meio a todos os percalços se faz necessário ter consciência das consequências de uma intervenção tardia.

Mesmo existindo tratamento, a possibilidade de cura não é certa. O sucesso do tratamento vai depender do tipo de tumor e o momento do diagnóstico.



Autoexame da mama


Nem todo nódulo mamário representa câncer, porém a qualquer surgimento deve-se procurar um médico, o autoexame é um importante meio de descoberta dessas alterações.

Fonte:http://vivomaissaudavel.com.br/static/media/uploads/autoexame-da-mama-3.jpg

O autoexame deve ser realizado uma vez a cada mês, na semana seguinte ao término da menstruação. As mulheres que não menstruam devem determinar um dia específico para repetir o autoexame todo o mês. Vale lembrar que este não é um método diagnóstico, um exame clinico se faz necessário.



Mamografia


O exame clinico da mama é recomendado pelo menos a cada 3 anos para mulheres entre 20 e 30 anos de idade, depois  disso anualmente, o mais comum é a mamografia


 A Mamografia é um exame de imagem que pode detectar lesões impalpáveis( tumor de mama antes que ele seja clinicamente palpável)  e auxiliar no diagnóstico de massas palpáveis 

Além da mamografia existe outras formas de avaliação diagnóstica menos conhecidas, como a galactografia, Ultra-sonografia, ressonância magnética, todas são indicadas de acordo com a orientação médica.


Quais os estágios do câncer de mama?

Os estádios do câncer de mama são formas que os médicos dão de dar notas para o momento da doença do paciente no caso do câncer de mama são divididos em 5 tipos:

Estadio 0: quando a doença esta restrita ao local onde começou (carcinomas in situ)

Estadio 1: a doença invadiu a região local, mas possui no máximo 2cm de tamanho (carcinomas invasivos = tem chance de mandar células para outras partes do corpo)

Estádio 2: a doença invadiu a região local, mas possui entre 2 e 5cm de tamanho e ínguas pouco comprometidas na axila (carcinomas invasivos)

Estádio 3: a doença invadiu a região local, mas possui tamanho maior que 5cm ou ínguas muito comprometidas na axila (carcinomas invasivos)

Estádio 4: quando a doença invadiu outras partes do corpo como: ossos, pulmões, fígado, etc.


Fonte:https://www.hcancerbarretos.com.br/pesquisas/92-paciente/tipos-de-cancer/cancer-de-mama/164-tratamento-do-cancer-de-mama

Tratamento do câncer de mama



O tratamento para o câncer de mama resume-se em clinico e cirúrgicos que em casos extremos é feito a mastectomia, remoção total da mama.

Nesses casos as mulheres podem, se preferir, fazer a cirurgia de reconstrução, na qual fornece consideráveis benefícios psicológico.   

Leis de garantia de direito/ Cirurgia de reconstrução



O câncer é um fantasma que assusta toda mulher, em muitos casos a cura envolve mutilação pensando nisso no dia de 6 de maio de 1999, o então presidente Fernando Herinque Cardoso, sanciona a lei Nº 9.797 que dispõe sobre a obrigatoriedade da cirurgia plastica reparadora da mama pela rede de unidades integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS) nos casos de mutilação decorrentes de tratamento de câncer. 


No entanto a lei não especificava o prazo em que a cirurgia deveria ser feita. Pensando nisso o congresso nacional aprovou e a presidente Dilma Roussef sancionou a Lei 12.802/2013, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a fazer a cirurgia plástica reparadora da mama logo em seguida à retirada do câncer, quando houver condições médicas. 




Referências:




BRUNNER & SUDDARTH. tratamento de enfermagem médico-cirúrgico.editora-guanabara. ed:9º- RJ




Mesa da Câmara dos deputados 55ª - Legislação da mulher – 7ª edição –Legislatura / 2015 - 2019







18 setembro 2016

NASCEMOS CRESCEMOS E NOS TORNAMOS DIVAS

 Envelhecer não é sinônimo de perda de beleza, mas sim assumir novas formas de ser diva, nos tornamos lindas BORBOLETAS.


Foto: Hyago Kayann

Todas nós queremos longevidade, mas não sabemos lhe dar na maioria das vezes, com o processo natural pelo qual temos que passar - envelhecer. 

Para muitas a transição dos 29 aos 30 é a mais delicada. O peso não está em um número em si , mas com a ação da gravidade que começa a surtir efeito, os  primeiros sinais de envelhecimento começam a aparecer. A partir dai vamos gradativamente passando por mudanças tanto externas como internas. Com o tempo vem os calores, cabelos brancos as limitações... transformações nas quais embora não admitimos, nos afetam significativamente. 

Termos tais como; saber envelhecer e se aceitar são muito usados. Mas como toda teoria, na pratica é bem mais complicado. Dar-lhe com um processo de limitação requer um bom preparo psicológico, para poder reconhecer-se em cada estágio, sem medo e receios, perceber que a beleza não se vai com o tempo apenas assume formas diferentes, é primordial.

Em recente conversa com amigas, pude me dar conta que o tempo passou e o quanto mudamos, todas estão basicamente em um dos primeiros estágios e assim como eu sentem-se bem, a maturidade nos traz mais segurança e consciência do eu, pensando nisso resolvi fazer uma analogia as borboletas, que passam por um lento e ardo processo de metamorfose para chegar a sua mas bela fase, vejamos:

Quando criança somos limitadas, educadas nos moldes no que se diz ser mulher, sem nenhuma concepção de mundo, frágeis vulneráveis, assim como a lagarta. 

Na adolescência e juventude temos que lhe dar com o que é ser mulher, e todos os conflitos internos que envolve a construção de uma identidade, ruptura com o mundo imaginário no qual somos forçados a acreditar na infância, incertezas inseguranças, é o momento de fechar-se encasular-se auto afirmar –se, para chegar a mais linda e bela fase, tornar - se uma BORBOLETA.




Todos os estágios que envolvem a BORBOLETA simbolizam nosso processo evolutivo como pessoa, cada uma de nós adquire formas cores e tamanhos diferentes sem deixar de ser belas. O que nos difere do inseto é o fato que nesse estágio temos que entrar muitas vezes no casulo, entrar em contato com nosso intimo, para curar dores feridas, mas sem deixar de ser BORBOLETAS.

A você que já transformou-se em BORBOLETA, perceba a beleza que existe em você, pois esta é a etapa mais plena de uma mulher, tenhamos nosso processo natural como forma de aprimoramento, que de fato é, não de declínio. O fato é que somos todas lindas, a maturidade só nos enaltece ainda mais. Nos tornamos divas, sinta-se diva, bela como uma BORBOLETA.





Fotos: acervo pessoal

11 setembro 2016

FALANDO SOBRE: ESTEREÓTIPOS FEMININOS



Estereótipos femininos são conceitos pré concebidos por uma sociedade patriarcal, reforçado pela mídia e literatura. O que de fato nada mais são do que formas de estigmatizar a mulher, abaixo apresento apenas alguns de vários outros, leia e tire suas conclusões.

Donzela em apuros 
 Mulher  retratada como indefesa que sempre precisa do sexo forte para sua segurança. vista como incapaz de virar-se sozinha, sua vida e sua segurança sempre dependem do sexo forte; no caso o homem.

Ingênua;
 Mulher que vive sua castidade, serena , bela amável, esse tipo demonstra-se incapaz de tomar suas próprias decisões, insegura e com poucas perspectiva, vive em função do outro.

Dissimulada e fatal 
 Descrita como aquela que usa seus dotes físicos e sexuais, astuta e traiçoeira, capaz de destruir um homem, sempre tirando vantagens das situações.

Esposa chata
 Inconveniente está sempre reclamando fala demais, exige demais do marido impedindo que o mesmo divirta-se. Este só ressalta a esposa como ”a pedra no sapato do homem” não uma parceira mas um alguém que atrapalha a vida do outro.

Troféu
 Uma forma de objetificação, onde o herói ganha a batalha e leva a mocinha como prêmio.

Loira burra
Na maioria dos casos jovem bela e loira, mas atrapalhada sem noção e pouca cultura,.

Negra quente
Mulher negra vista como fogosa, relacionando sempre a imagem da mulher ao sexo.

Estes são rótulos usados para nos definir no qual na verdade não serve como definição, tendo em vista que possui caráter superficial, não sinto-me representada por nenhum desses,e você? Até que ponto nos definem ou nos desqualificam? Vamos conversar a respeito, deixe seu comentário ou cite outros estereótipos não citados nesta postagem.



05 setembro 2016

DIFERENTES TONS DE NEGRAS, DIFERENTES TONS DE PRECONCEITO

Foto:Arquivo Pessoal
  



Foto:Arquivo Pessoal

A historia da mulher é marcada por exclusão, por conta de estereótipos e de valores enraizados. Quando se trata da mulher negra a situação é ainda mais alarmante, o espaço reservado a elas ainda é  inferior, além de ser inferiorizada por gênero ainda tem o preconceito étnico.


Foto:Arquivo Pessoal

Somos uma nação miscigenada, de maioria negra, racismo parece contraditória, no entanto a cultura do - “você vale de acordo com o tom de sua pele”; é enraizada em nossa sociedade. Vale lembrar que não existe raça ou gênero melhor que o outro, todos são dotados de inúmeras capacidades, o que vai definir suas conquistas, são as oportunidades. No caso da mulher negra  estas são bem menores, o percentual de politicas publicas de garantia de direito é baixo, em contra partida o de violência, muitas das vezes de caráter racista, é crescente.


O Mapa da violência 2015 reforça esta afirmação onde mostra que a taxa de assassinatos de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. Chama atenção que no mesmo período o número de homicídios de mulheres brancas tenha diminuído 9,8%, caindo de 1.747, em 2003, para 1.576, em 2013.

Foto:Arquivo Pessoal

       
Foto:Arquivo Pessoal
 Além de todos esses números alarmantes,  temos o racismo camuflado, no qual representa uma luta diária, o preconceito e a discriminação, no qual variam de acordo com a tonalidade da pele,( Quantos tons de negra você é) o nível do seu cabelo, seus traços... Enfim, cada qual sofre preconceitos de acordo com suas características. Quanto mais escura a pele, maior os desafios, que começa com o ato de aceitar-se, em uma sociedade onde não se tem representatividade, e tudo que é relacionado a negro é colocado negativamente  . 



Foto:Arquivo Pessoal
Foto:Arquivo Pessoal
Diferentes tons de negras, diferentes belezas, cada uma carrega o fardo e os desafios em ser quem é, e sente a necessidade de auto afirma-se todos os dias, afim de vencer toda  e qualquer forma de preconceito.
Foto: Aquivo pessoal
Atitudes racistas podem ser inconscientes, mas quem sofre tem consciência do desconforto, que as palavras trazem. Falar sobre racismos não é vitimação, é apenas uma forma de exigir repeito, uma mulher branca, não é lembrada o tempo todo de sua cor, já a mulher negra, sempre tem como referência a sua. A questão não é o tão quanto negra uma pessoa é, mais na liberdade de ser quem é. Independente da tonalidade da pele, todos merecem respeito.

Foto: Arquivo pessoal


03 setembro 2016

LUTA POR DIREITOS, LEI MARIA DA PENHA.



A Lei Maria da penha trouxe a discussão acerca da violência contra a mulher, violência que sempre existiu ao longo da história, na maioria das vezes advinda do próprio parceiro, o homem sentia -se no direito de bater na mulher por ela ser inferior, a mulher submetia-se as punições movidas pela cultura da submissão pregada pela sociedade patriarcal. 

Este tipo de violência foi silenciada por uma sociedade permissiva e omissa. Com as mudanças culturais muitas mulheres, na luta pela igualdade de direitos resolveram ir contra esse tipo de violência. No entanto embora muitas  denunciassem, o crime não havia punições, nem formas de prevenção, e muitas acabavam sendo mortas.

 Apenas em 7 de agosto 2006, em meio a tantos descasos, a lei é sancionada.  Antes da Lei 11.340/06 , os casos de violência doméstica eram julgados em juizados especiais criminais, o que levava o agressor a maioria das vezes saírem impunes. 


A lei ficou conhecida como Lei Maria da Penha, em homenagem a cearense farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, violentada por seis anos pelo marido, sofrendo duas tentativas de homicídio, uma das quais lhe deixou paraplégica.

Foto: G1- Jarbas Oliveira/Maria da Penha


O marido foi punido apenas após 19 anos, depois de muita luta e processos judicias, e intervenções de organizações internacionais que obrigaram o Brasil a criar uma legislação adequada a esse tipo de violência.

Como sempre afirmo, lei não é garantia de direitos, mas um importante meio para alcança-los, para isso é importante conhece-las. 

Referências:

http://www.compromissoeatitude.org.br/o-caso-maria-da-penha-na-oea/  Acesso em  03/09/16 ás 22:15







02 setembro 2016

PRAZER ME CHAMO ALICE! SOMOS TODAS ALICES.

Bela Adormecida, Branca de Neve, Rapunzel, Cinderela... tantos clássicos da literatura que crescemos lendo e ouvindo. Através de belas donzelas e príncipes montados em seus cavalos brancos somos conduzidas a romantizar a vida. 

Foto: Hyago Kayann

Os contos de fadas, estão presentes em diferentes estágios de nossas vidas, nos fazendo ir a universos encantados onde todos são lindos, belas florestas, lindos bosques onde vivem alegremente a cantar. Nos encantamos e fantasiamos um mundo perfeito, onde o segredo para o felizes para sempre – é o amor.


Vamos crescendo e nos damos conta que esse mundo não inexiste, que o amor machuca e o para sempre não existe.

Em vez e outra somos vitimadas por nosso inconsciente e acabamos por fantasiar a vida tal qual os contos que ouvimos na infância, nesses momento comparamo-nos a personagem dos contos infantis – ALICE.

Alice é a personagem principal da obra intitulada, Alice no pais das maravilhas, que conta a história de uma menina que cai na toca de coelho sendo conduzida para um lugar fantástico, onde vive aventuras sem lógica, e no final se dar conta que era apenas um sonho. “Ficou ali sentada, os olhos fechados, e quase acreditou estar no pais das maravilhas, embora soubesse que bastaria abri-los e tudo se transformaria em insípida realidade.” ( Alice no pais das maravilhas) 

Cada vez que mergulhamos em um universo que distorce a realidade que nos trás expectativas, mesmo tendo consciência da insipidez da vida, somos Alices. Sempre criaremos expectativas quanto ao amor; que casais que julgamos perfeitos não se separam, que vai haver romantismos, que vamos ser correspondidas, que vamos casar com um longo vestido de princesa... Enfim em algum momento da vida vamos fantasiar.

Se você tem consciência que já criou ou cria expectativas fantasiou a vida, você é uma Alice. E eu, me apresento: Prazer me chamo Alice!
Foto: Hyago Kayann