21 agosto 2016

RESPEITE MEU CABELO, RESPEITE MINHAS ESCOLHAS.





Alisar o cabelo por muito tempo foi visto como uma obrigação, andar com cabelo solto em especial se o seu cabelo for crespo era quase uma ofensa para a sociedade, as meninas de cabelo crespos e volumosos sempre o usavam amarrado com tranças ou eram alisados precocemente, muitas se tornaram mulheres que nem sabem como realmente é o seu cabelo. Isso se deu por conta de imposições sociais e midiáticas, onde as modelos possuem cabelos lisos ou com cachos bem definidos. Porém esse quadro vem mudando.
Nos últimos anos um grande movimento de aceitação do cabelo natural vem ganhando espaço, cada vez mais mulheres, na sua maioria negras, entram na onda seja para levantar a bandeira contra imposições julgadas racistas, como forma de liberdade, ou pelo simples desejo de mudar. Cada uma com diferentes motivações passaram pela transição, um processo lento que requer cuidados e sacrifícios, mas que muitas resolveram encarar deixando expostos suas formas curvas e volumes. No entanto sem se darem conta estabeleceram um novo padrão, e inverteram a situação, onde quem mantém o cabelo liso é julgada de forma preconceituosa. 
Exposição sobre o papel do cabelo afro no empoderamento da mulher negra (Foto: Sophia Costa) 

O Feminismo negro representa o principal precursor desse movimento, onde se afirma que a negra deve assumir sua negritude, para elas o empoderamento tem um significado coletivo. O que para mim contradiz o que acredito por empoderar-se, algo que julgo ser tomar poder sobre si. A partir do momento que um grupo diz o que eu devo fazer, ou sou criticada por não seguir o que se prega, me sinto privada da minha liberdade de decisão. Estamos saindo da ditadura do liso para entrar em outras prisões.




Considero-me negra tenho traços negros, meu cabelo é volumoso e tenho consciência da minha condição, já usei meu cabelo de muitas formas, curto, longo, com volume ao natural com as ondas a mostra, liso através de procedimentos químicos escova chapinha, ele já foi preto vermelho e agora está liso curto e loiro. Em cada uma dessas mudanças recebi criticas e mesmo assim manteve até o dia que casei e decidi mudar. Isso que é divertido poder mudar sempre, sentir-se nova em cada mudança.

Sou muito criticada atualmente por não aderir o movimento, com afirmações que estou negando minha identidade, em cada critica que recebo dou-me conta do quanto empoderada sou, pois tenho consciência que a liberdade não está em ter o cabelo natural, a liberdade está em ter o cabelo que quiser e quando quiser, fazer escolhas sem imposição da sociedade.

Somos muito mais que um cabelo, o nosso caráter o que acreditamos vai muito além de como usamos o cabelo. Se desejar fazer a transição capilar, deixar a raiz tantas vezes abnegada sair e ganhar forma, se você possui cachos nos quais lhe dar volume, se você tem cabelos crespos que só cresce para cima e nem cachos forma, se você quer pintar alisar raspar, se isso lhe faz sentir-se bem e bonita, tudo bem!
Não sejamos extremistas, se a mulher decide continuar alisando o cabelo por que isso lhe faz bem e lhe deixa confortável, ou ela ainda não se considera pronta para fazer a transição, é uma decisão que só diz respeito a ela, e merece ser respeitada, não somos obrigadas a mudar por uma pressão social. Sou defensora da liberdade, liberdade de ousar de mudar de ser quem queremos ser, sem imposições.