15 agosto 2016

MULHER E LITERATURA


 

foto: acervo pessoal
Não há como negar que mesmo não possuindo a chance de escrever, as mulheres sempre ocuparam lugar de destaque na literatura. Eram sempre representadas como personagens, muitas vezes protagonistas, dos livros de autoria masculina, não possuíam voz própria, eram representadas pela voz do homem. Temos vários exemplos como: Capitu, de Machado de Assis em Dom Casmurro; A Moreninha, de Joaquim Manuel Macedo, Iracema, Senhora, Lucíola, todas de José de Alencar, entre varias outras. Um fato até meio intrigante, pois se trata que o discurso feito pelo outro é sempre uma versão, nunca consegue representar na totalidade e com fidelidade; e ainda, é feito com determinados objetivos.

 Muitos autores sempre buscaram representar a realidade, a sociedade contexto histórico e marcas culturais em que estão inseridos, fato este que sempre afeta o modo como o discurso é produzido por isso, costumamos ver a representação da mulher na literatura, como personagens realizadas de acordo com estereótipos culturais da época, com diferentes facetas -  a mulher casada recatada ou a prostituta, a mulher sedutora, perigosa e imoral, mulher como megera, mulher indefesa e incapaz, o da mulher como anjo capaz de sacrificar por outros...


A literatura de autoria feminina teve o papel de desestabilizar a representação da mulher na literatura canônica, que não condizia com a grande variedade de identidades femininas existentes. Então a crítica feminista cresce. Havendo uma reestruturação da própria identidade feminina que era representada na literatura, libertando as mulheres do modelo tradicional, que foi por tanto tempo divulgado, imposto pelo sistema patriarcal.
Clarice Lispector

No andar em que o movimento feminista foi avançando e se firmando, a literatura de autoria feminina sofreu alterações, teve de passar por estereótipos machistas até a situação de real questionamento acerca dessa condição da mulher, fase esta que Clarice Lispector se fez presente com varias publicações, mais também outras autoras como Lygia Fagundes Telles, com representações de personagens femininas, que eram dona de casa mais que passavam por um momento de reflexão, questionando sua condição na sociedade, no casamento e dentro do lar, aonde temos um momento muito importante para a literatura feminina, um momento de percepção acerca da condição de submissão da mulher ao homem.


O surgimento da mulher na literatura como autora, representa a ruptura da escrava domestica.  A escrita feminina trás a busca de uma identidade própria, promovendo a ruptura da imagem degradante  imposta pela sociedade, reafirmando  a consciência do eu da autora por meio de personagens, narrador ou persona, o uso das palavras para falar por si. É a mulher a partir da perspectiva da própria mulher a sociedade vista através do olhar feminino, o que não se difere completamente da escrita masculina, mas representa conquista e evolução do papel da mulher no meio social.

Referência:

Telles, L. F. (2000). Mulheres, mulheres. Em del Priore, M. (Org.). Historia das mulheres no Brasil 9. ed. São Paulo: Contexto, 2007