15 outubro 2017

PREFIRA UM AMOR FEINHO

Perfeição é ilusório ser realista é uma necessidade quase que vital, só não é tão simples quanto respirar.


Diante das adversidades da vida nos torturamos e nos martirizamos de tal modo que ficamos atônicos por demasiado tempo. Estas situações são frutos, na maioria das vezes, de nossas inter-relações. Mas conviver é um mal necessário, é o que nos permite ser quem somos, é na convivência que somos moldados, e neste processo incluí a decepção, é nesses momentos que aprendemos lições importantes, o fato respalda a frase de efeito que diz que a "dor precisa ser sentida." 

A decepção é trivial, esta sempre relacionada as pessoas que amamos, nestas colocamos muitas expectativas e acabamos criando uma imagem que não existe . Embelezamos demais e deixamos de ver o feio.  Adélia Prado poetisa brasileira do século XX, trás esta percepção da realidade, com seu realismo que se destaca no poema   "Amor Feinho," que faz parte do seu livro de estreia Bagagem publicado em 1976.

AMOR FEINHO

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.

(Adélia Prado)



Vale enfatizar que o feio que a autora coloca é o tolerável " feinho" o que explica a palavra no diminutivo, uma relação que inclua sofrimento e dor, é um sinal de alerta para abster-se de algum modo desta, caso contrário quanto mais feridos formos mais debilitados ficamos e mais dificuldade teremos para seguir em frente.

Hoje somos independentes, capazes de decidir a própria vida, seguras de si, no entanto quando se trata do amor somos vulneráveis. Querendo ou não dentro de nós existe uma mocinha romântica é preciso ser realista tal qual respalda o poema, já falamos sobre isso aqui no blog em  Prazer me chamo Alice, somos todas Alices!

 O amor é maravilhoso, porém não é perfeito, perceber o feio nos permite CUIDAR DO ESSENCIAL, manter relações sólidas, ou perceber se vale apena, pois o amor feinho não é aquele que lhe faz mal, com relacionamentos tóxicos, este é realista não vive de deslumbre. É PRECISO  ELUCIDAR  O AMOR, é  preciso perceber o feio, para saber aproveitar o belo e não se magoar tão constantemente. 

14 setembro 2017

LETICIA SANTOS, MULHER PEQUENA DESBRAVANDO SEU ESPAÇO


Pessoas com nanismo tem que lidar com as limitações do dia a dia, tarefas simples, como pegar algo no armário, subir em uma cadeira, mudar o móvel do lugar, subir escadas e tantas outras coisas que para a maioria de nós passam despercebidas, acabam representando significativos obstáculos. Mesmo com todos os subterfúgios usados por estes para driblar as dificuldades, fora do lar tudo é ainda mais desafiador, pois além de ter que contornar das limitações de acesso  que se fazem percebidas em situações como chamar um elevador, usar o caixa eletrônico, comprar roupas, calçados e tantas outras, tem-se ainda o preconceito.

Leticia Santos/  arquivo pessoal

O preconceito latente relacionado as pessoas pequenas, as limitam ainda mais. Leticia Santos, curitibana de 23 anos, conhece bem essa realidade. Medindo 91 centimentros, por conta do Nanismo condrodiastrófico, (Nanismo raro causado pela ruptura do crescimento dos ossos longos), ela afirma que não há espaço  para pessoas julgadas "diferentes", mas isso não a impende de busca-lo, tudo parte do aceitar-se.

"Na adolescência tive muita dificuldade em lhe dar com minha autoimagem, esta é uma fase em que a aceitação cai em questionamento ainda mais portando alguma deficiência. Mas enfim passou aprendi a ser eu mesma, e gostar de mim assim. Olhares e comentários maldosos não me afetam." Afirma a jovem.
Leticia Santos/ Arquivo pessoal

Nanismos é um distúrbio que se caracteriza pela falha no crescimento, na qual a pessoa, seja homem ou mulher, apresenta baixa estatura comparada a  pessoas da mesma idade e sexo, embora os aspectos físicos sejam afetados, as habilidades intelectuais mantem-se preservadas, podendo-se manter uma vida significativamente normal. Embora a sociedade não os vejam assim, estes podem assumir diferentes funções sociais, mas ainda hoje muitos acabam sendo vistos como anomalias ou engraçados, tendo oportunidade, na maioria, dos casos apenas no entretenimento. 

Por essas razões Leticia não possui um  emprego fixo, atua como maquiadora de forma autônoma, e em suas redes sociais divulga seu projeto – RAPAS E BATONS, que tem por objetivo exaltar a vaidade de mulheres com deficiência ou não, que muitas vezes escondem seu lado mulherão, por medo ou vergonha.
Leticia Santos/ Foto arquivo pessoal

Na medida do possível ela consegue levar uma vida de forma normal. Sobre seus relacionamentos ela afirma que embora   muitos não acreditam que pessoas com nanismo possam manter um relacionamento amoroso, ela namora há três anos. “Sempre me perguntam se meu namorado possui estatura normal. Sim ele é normal e nosso relacionamento também!” Enfatiza ela.

Leticia se aceita e não tem receios em ser quem é, e deixa um recado a nossas amigas leitoras: “ Acredite em você, se cuide, se aceite e se ame! A vida é uma só para ficar se lamentando... Viva!!!"
Leticia Santos/ Foto arquivo pessoal

E a você que julga-se diferente, só posso afirmar que o mundo séria muito sem graça se todos fossemos iguais. O seu diferencial a torna autêntica, seja tenaz diante de tudo que à limita.             
Para conhecer um pouco mais sobre Leticia, acesse suas redes socias.
Facebook: Leticia dos Santos
Instagram: @lelerampaebatons

06 setembro 2017

SETEMBRO AMARELO, A MELHOR FORMA DE PREVENIR O SUICÍDIO É FALAR SOBRE

Para muitos não parece agradável refere-se a quem se matou ou quem tentou se matar, seja por valores religiosos ou culturais, ou ambos os casos. Mas tentar entender o que faz uma pessoa cometer tal ato, conversar e levantar discursões sobre o assunto faz-se necessário, desta forma muitas outras vidas podem ser salvas.




Suicídio é um caso de saúde publica, a morte voluntária é a segunda maior causa de óbito no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida todo ano. Enquanto você ler esta postagem alguém pode esta cogitando ou tirando a própria vida. 

Todos nós temos um amigo conhecido, ou parente que já foi vitima de suicídio. Sim, vitima! Embora ouçamos que tentar contra a própria vida desqualifica o ser humano, com afirmações que seja falta de Deus ( fato que faz com que o assunto seja negligenciado) nestes casos a pessoa é vitima de se mesma. A presença de um transtorno psiquiátrico, em especial a depressão é a causa da maioria dos casos.

Depressão é um assunto sério, e deve ser diagnosticada e tratada como qualquer outra doença, muitos desconhecem o assunto e não procuram ajuda quanto mais falarmos sobre o assunto mais vidas serão salvas. Segundo a OMS, 90% das pessoas que se suicidam apresentavam algum desequilíbrio, como depressão, transtorno bipolar, dependência de substâncias e esquizofrenia – e 10% a 15% dos que sofrem de depressão tentam acabar com a vida. 

Por este motivos ações voltadas para conciêntização fazem-se necessárias e aproveitando o ensejo do dia 10 de setembro ser o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o mês todo é voltado para esta causa com a campanha Setembro amarelo, com o objetivo de falar do assunto fazendo com que as pessoas se identifiquem e busquem ajuda, pois o primeiro passo para a prevenção é falar sobre, sem medos, sem receios, sem tabus.


Fontes: OMS (Preventing Suicide: A Global Imperative), http://www.setembroamarelo.org.br


23 agosto 2017

O DRAMA DE UMA GERAÇÃO; FILME JUVENTUDES ROUBADAS


O filme da semana é uma história de guerra baseado em fatos reais, através do olhar feminino de Vera Brittain, escritora Inglesa que faz um panorama histórico do terror e as perdas causadas durante a primeira guerra mundial. O roteiro tem como base o seu livro intitulado Testament of Youth, lançado em 1933. 

Foto reprodução
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O filme britânico lançado em 2015 intitulado, JUVENTUDE ROUBADAS aborda diferentes assuntos de cunho social, tendo a guerra como tema central e seus efeitos na vida das pessoas, em especial dos jovens representados por Vera Brittain ( Alicia Vikander ) seu irmão, noivo e amigos; em meio a tudo isso outras questões sociais são exploradas como as limitações impostas a mulher.
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Vera luta com o pai para conseguir ir para a universidade, o mesmo julga o investimento um gasto desnecessário, a  sua preparação devia ser para o casamento, homens não iriam querer uma mulher dedicada aos livros, pensamento comum para a época. 
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Justamente a determinação da jovem em querer estudar e torna-se escritora, é o que aguça o interesse do jovem­­­­­­­­­­­­ Roland (Kit Harrington, Jhon Snow de Game of Thrones), ambos protagonizam a história de amor da trama. Relação repleta de tensão sexual, até o toque no outro era limitado o que representa bem a repressão sexual deste periodo, preservar a “virtude” era fundamental, os jovens apaixonados mesmo com a permissão dos pais só poderiam se encontrar na presença de uma dama de companhia. 

Vera entra para Oxford, e faz planos de casar –se com Roland e conciliar o casamento com os estudos universitários. Com o inicio da guerra tudo muda, seus amigos, seu amor, seu irmão assim como tantos outros jovens, vão para o campo de batalha . A partir deste ponto o filme se torna cada vez mais triste,  em um luto continuo, com cenas em tons acinzentados, representando o quanto a guerra afetou a vida das pessoas, que  todos os dias abriam os jornais  com listas intermináveis de mortos, torcendo para não encontrar um amigo parente ou conhecido.
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Sentindo a necessidade de se fazer útil Vera tranca a universidade e se alista como enfermeira voluntária, onde chega a cuidar tanto de seus aliados como os inimigos de guerra. O que a faz refletir sobre as perdas de ambos os lados, onde ninguém de fato vence.

O filme não poupa o telespectador, não há muitas cenas no campo de batalha, a história se faz nas enfermarias, com cenas de homens mutilados, onde alguns não tem nem a chance de ser atendido por julga-se não haver muito o que fazer, foi o que aconteceu com Roland, o amor de Vera, que avisa que voltaria antes do natal, para casar-se com ela. No dia do casamento quando estava a espera do noivo a jovem recebe a noticia de sua morte.
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A história resume-se no luto, cada vez as cenas se tornam mais tristes. Assim como o noivo, Vera perdeu o irmão e amigos, assim como tantos outros.  Diante de tanta tristeza e desolação e inúmeras perdas , a jovem começa a lutar contra  o extermínio no qual é a guerra, tornando pacifista.
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Vale muito apena conferir este filme, que trás causas de engajamento e expõe o drama de uma geração. Sem falar que tem Kit Harrington, com todo o seu olhar charmoso,  e sua cremosidade, hahaha.  Bom filme!